COZINHA AUTORAL

Eu detesto essa palavra… “descontruir”. Soa-me babaca demais, pernóstica demais, pedante. Mas não é outra a coisa que farei hoje, de pé, orgulhoso, diante do balcão imaginário do Buteco. E explico.

A revista RioShow, de O Globo, traz, como matéria de capa, mais um desses concursos estúpidos que escolhem o melhor isso, o melhor aquilo, como faz também o outrora decente guia Rio Botequim, hoje um verdadeiro vade-mecum de otário, como bem diz o meu irmão Szegeri.

É claro que, por exemplo, o Jobi, no Leblon (evidentemente), foi considerado o bar com melhor comida de botequim. Aliás, e sobre essa categoria (vejam como é nojenta uma “eleição” desse gênero), os jurados, que não entendem porra nenhuma sobre butecos de verdade, escolheram apenas merdas como Belmonte, Conversa Fiada, Devassa, tendo um dos jurados – não lhes direi o nome para não dar crédito a uma azêmola na matéria – escolhido o Esch Café, no Leblon de novo, como o lugar que serve a melhor comida de botequim. É de fazer rir. E muito. Como é de fazer rir o texto que anuncia o prêmio ao Jobi: “Até omelete de brie com presunto de parma (…) servem.”.

Mas nada supera a frase-depoimento da ACR, a plagiadora, como provei aqui. No texto que anuncia a vencedora da categoria de melhor chef – Roberta Sudbrack, ex-cozinheira de FHC e autora de um livro nojento de alta gastronomia para cachorros, é isso mesmo!, deve ter sido fruto da experiência durante oito anos na cozinha do Palácio do Planalto, veja aqui – a moça se supera.

O que quer dizer, meu Deus!, da expressão “cozinha autoral” que a moça usa?????

Esses críticos metidos a besta, categoria na qual se insere a insuperável ACR, não têm limite quando o assunto é inventar moda.

Se alguém cozinha, evidentemente que esse alguém é o autor (é péssima a palavra para isso, mas fazer o quê?) da comida.

Mas no Rio-Brasília, por exemplo, que nenhum dos jurados conhece – garanto – os bravos cozinheiros, que seguem as receitas da Terezinha, jamais seriam chamados de autores de uma “cozinha autoral”. Como não faz “cozinha autoral”, também, o Chico, do glorioso Bar do Chico, na Tijuca. Ainda bem, diga-se de passagem.

E isso porque – me perdoem a ferocidade – cozinha autoral de cu é rôla.

Até.

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12 Comentários

Arquivado em botequim

12 Respostas para “COZINHA AUTORAL

  1. Edu, e o que são os preços? Um filé de cherne com banana custa R$ 78 no tal de Olympie, do chef Troisgros. A tal da cozinheira do FHC cobra 190 pratas por pessoa no jantar. Uma codorna com molho de jabuticaba custa R$ 62 no tal restaurante eleito o melhor. Cacete, com esse dinheiro eu como no mínimo oitocentas codornas no Rei das Codornas do Valqueire. Atenção! Atenção! Uma, eu disse uma, banana custa R$ 9 no Zucka. Puta-que-pariu. Agora, quem é esse membro de uma tal de Confraria da Boa Mesa que elege Jobi, Belmonte e Conversa Fiada como melhores comidas de botequim? Imagina uma reunião da confraria… Edu, o blog é uma trincheira carioca. Cacete nesses merdas! Cacete nesses merdas! Não passarão.

  2. Simas: tu não tocou no ponto principal… O filé de cherne com banana custa R$78,00 mas não é um filé de cherne com banana. É uma mísera lasca (palavra que esses apedeutas adoram) de peixe apoiada em apenas uma rodela de banana nanica. E em volta, salpicados (outra palavrinha que eles amam), açúcar e canela.E se o Buteco é uma trincheira, mano, é porque você é soldado na linha de frente!Não passarão!

  3. Sensacional, Edu! “Cozinha autoral” foi foda…(você me mandou seu enderço?)

  4. Quero ir no Cantinho das Concertinas na Cadeg comer a sardinha assada. Vamos!

  5. Eu não fico nada triste de ver a escumalha, que tem essa grana para gastar com baboseiras, ser solenemente enganada. Que vão todos para o Belmonte ficar uma hora na fila. Edu, vamos continuar a nos banquetear por R$ 30,00 nos verdadeiros butecos. A moda passa, principalmente bancada por esses imbecis.

  6. MM: não só “cozinha autoral” é foda. Se você tiver paciência de vasculhar os atentados do Jota, por exemplo, você verá como esses suspostos arautos da gastronomia são incansáveis na arte de falar merda. Guerreira, querida: vamos, sim. Vamos sempre a esses lugares que mantêm as nossas mais profundas tradições. Mas vou com um pé atrás. Lugar algum é citado nesse jornal à toa. Alguma coisa de fresca há de haver nesse troço. Mas a gente checará. Flavinho: grande fala, grande fala!

  7. Essas redes Devassa, Manuel e Juaquim, Belmonte, etc, etc, estão matando os botequins. O mesmo ambiente, os mesmos pratos e tira-gostos, a mesma impersonalidade. Mesmo os que não fazem parte das redes viram “barzinhos”, como o Jobi, que de boteco não tem mais nada. Até Copacabana, que até bem pouco tempo ainda tinha vários pé-sujo tadicionais está sendo invadida. Saudades do Veloso (agora parte da rede “Garota de…), do Bofetada…

  8. Se eles querem fazer lá seus concursos de “cozinha autoral”, que façam; mas confundir “cozinha autoral” com “baixa gastronomia” é o cu da cobra. Por que não deixam o butiquim em paz de uma vez por todas? Sempre fomos tidos como os “sujos”, os de “pouco paladar”, os “pobretões”, e agora descobrem que podemos ser “bacanas” também. Comida de buteco é aquela carne assada com coradas da Terezinha, é a dobradinha do Pachola, a empada de camarão do City Bar e por aí vai. Grande Edu, vigilante como sempre! PS – provavelmente estarei no Rio na primeira sexta-feira depois do feriado. Tenho outra entrevista aí, só que dessa vez aproveito para ficar o fim de semana. Quero voltar ao Rio-Brasilia e pegar aquele samba na livraria.

  9. Signore, realmente, ‘cozinha autoral’ para cachorros, como diria o Jaguar: ‘parece coisa de viado’… eu só conheço o ‘direito autoral’ que nunca se recebe direito!

  10. Capitão-do-mato, e não é só “O Globo” que escreve essas sandices; a Vejinha (outra merda em forma de revista) elegeu o melhor “happy hour” de butiquim, onde já se viu isso? “Happy hour” de butiquim! E, pior, os jurados ali escolhidos NUNCA puseram um pé sequer num butiquim, e repetem sempre as mesmas baboseiras, tal como se dá no “júri” dos melhores restaurantes, que, entre outras pérolas, aclamou o Antiquarius o melhor português, cáspite! A nova moda dos cardápios, em substituição à abjeta expressão “lascas de …”, é “faíscas de …” Putaqueospariu!!! Saravá!

  11. Usando uma expressão que aprendi com o Simas (que ele me disse ter aprendido com você) digo: abaixo os Mc Donalds de bêbados! Viva o bom e velho buteco!

  12. Deve ter gente achando que dizer faz cozinha autoral é chique!!!

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