ADELE FÁTIMA

É um dever cívico que me imponho neste feriado de 07 de setembro em respeito a dezenas, centenas, milhares de visitas que são feitas ao Buteco por gente que, tenho certeza de que avidamente, e valendo-se dos mecanismos de busca disponibilizados na internet, chega aqui procurando pelo sagrado nome Adele Fátima.

Eu ganhei, como lhes contei, em março desse ano, aqui, a coleção completa do jornal “O PASQUIM”.

E curtindo minha viuvez de feriado – sou viúvo nas manhãs dos feriados, sábados e domingos, que eu acordo com os primeiros cantos dos bem-te-vis enquanto a Dani dorme até o meio-dia, no mínimo! – fui à sala acompanhado de um copinho de Maria da Cruz, de um cigarrinho (não voltei a fumar, mas estou fumando, o gerundismo me salva nessas horas) e do fascículo contendo todo o primeiro semestre d´O Pasquim de 1975.

E, meninos, eu vi!

Primeiro eu dou de cara com uma foto da mulata mais linda que o Brasil jamais produziu. Senti os guinchos internos me lançando em direção ao passado, como já lhes contei aqui. Adele Fátima de biquini, as mãos na nuca, e eu mandei de uma só vez a Maria da Cruz pra dentro, encetei um trago violentíssimo, olímpico, e olhei em volta em busca de alguém violando minha intimidade de menino.

Me perdoem a confissão, mas eu chorava de fazer o Pepperoni, aos meus pés, virar a cabeça pra um lado, pro outro, buscando explicações para o inexplicável.

Continuei, tomado de assombro, folheando aquele tesouro, vendo as paredes da sala ganhando azulejos amarelos, idênticos aos que havia no banheiro daquela casa na vila da Rua São Francisco Xavier 84, Tijuca evidentemente.

Havia mais, havia mais!

Adele Fátima

Tateei, como um insano, a capa da edição, os seios mulatos da mulata em flor que nunca – nunca, veemente, dito à moda szegeriana – irá desabrochar, ao menos dentro de mim.

Tornei a encher o copo, acendi mais um cigarro, e meus olhos, abugalhados, marejados e febris, tinham a visão turva que me conduzia pela espiral perigosa que nos arrasta, como sorvedouro no mar de nossa história íntima, pessoal, cheia de pequenos pecados que nos redimem nesse mundo ai-jesus.

Havia mais, havia mais!

Minhas mãos, já menos envelhecidas e menos enrugadas – eu tinha uma pele lisíssima nas mãos que viravam as páginas amareladas, como os azulejos, dos jornais – deram de cara com mais essa!

Adele Fátima

E aí é o seguinte, camaradas!

Essa trilogia, essas três fotos numa moldura só, interpretei assim…

À esquerda, Adele Fátima me convidava pra dançar. E se ela dança, eu danço.

No meio, de joelhos e com as mãos na cadeira, era pra mim, e só pra mim, apenas pra mim, que ela olhava. E com olhos que nem-sei.

E à direita – ah, a foto da direita… – assim, abaixadinha, a cintura que nenhuma-mulher-jamais, com o sorriso-mais-sacana, de meião, gorro e mini-blusa do Flamengo…

Com licença que meus olhos tão ardendo.

Domingo, Flamengo e Botafogo, vou ao jogo com a Adele.

Eu, ela, e meu Motoradio.

Até.

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6 Comentários

Arquivado em confissões

6 Respostas para “ADELE FÁTIMA

  1. Ela foi uma das minhas primeiras punhetas, quando descobri a pornochanchada. Foi, se não me engano, naquele filme inesquecível “História que as nossas babás não contavam”, em que ela se abaixava para alisar o “calo” do anão que caiu da escada e deixava entrever aqueles seios pelo vão do generosíssimo decote. Realmente, fantástica. O próprio nome já é uma evocação de prazeres nunca consumados: A-de-le Fá-ti-ma. Estalando a língua ao pronunciar.

  2. Brunão: as afinidades que vamos descobrindo!!!!! Salve a Adele, malandro! E, seguinte… Pra te deixar com água na boca, e se você tiver MSN terei o prazer de lhe passar tudo:EU TENHO O “HISTÓRIAS QUE AS NOSSAS BABÁS NÃO CONTAVAM” na íntegra, digitalizado!É isso aí!Um dia, malandro, tive chance de encontrá-la, num restaurante no Leblon, e disse coisas lindíssimas a ela… Um dia te conto. No Rio-Brasília, de preferência!Abraço!

  3. Opa! Maravilha! Tenho MSN sim, é brsamba@yahoo.com.br, manda bala. Estou trabalhando, é mole? Mas aguarde que estou tentando achar uma gravação no meu acervo. Se eu achar vou te mandar um puta presente. Aguarde. abç!

  4. Grande Edu, essa é muito boa (e muito boa…). Se me lembro ela fazia o anúncio da Sardinhas 88. O Pasquim… é outra história. Bruno, tens um xará aqui de 5 anos!! Abraços a todos.

  5. AdeleAdeleADeleADEleADELeADELEADELEADELE!ADELEADELEADELE!!ADELEADELEADELEADELE!!!ADELEADELEADELEADELEADELEADELE!!!!…UFA!

  6. Pingback: SIMAS NA FEIRA | BUTECO DO EDU

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