Arquivo do mês: agosto 2006

>A MARACANÃ NO MARACANÃ

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Vocês hão de me perdoar, mas eu bobo demais com essa foto aí… A Dani, minha Sorriso Maracanã, no Maracanã, com esse sorriso mais-que-lindo, no sábado passado!!!!!

Dani no Maracanã, 05 de agosto de 2006

Eu não ia ao Maracanã desde 24 de outubro de 2004, e notem que quando fui a esse jogo, um Flamengo e Vasco, eu já não ia ao Mário Filho há milênios. Atribuo esse afastamento, que deu-se quase que sem notar, à onda de violência nos estádios, à idade, talvez, aliada ao prazer inenarrável de assistir aos jogos pela TV, com os amigos, num buteco com cerveja gelada e mais conforto, a uma série de pequenas razões que eu resolvi deixar de lado na manhã de sábado. E, como sempre, explico, que eu sou um homem de explicações permanentes.

O sábado foi atípico. Depois de uma semana de chuva fina e muito frio o dia amanheceu azul. Como não fazia calor, disse eu à Dani:

– Vamos à Lagoa com o Pepperoni?

O mais bonito sorriso do mundo aberto era o “sim” que eu esperava.

Liguei pro Fefê, que gostou do programa, e fomos buscá-los de carro, Fefê, Brinco e Yasmim. O que houve na Lagoa é o que menos importa. Importa que, à certa altura, já sentados num dos quiosques da orla, eu disse:

– Quero ir ao Maracanã hoje.

O mais bonito sorriso do mundo aberto era o “vamos” que eu esperava.

Yasmim quicou diante de mim:

– Tio Edu, me leva?! Tio Edu, me leva?!

E pronto.

Deixamos Fefê e Brinco e tomamos o rumo de casa.

Saímos os três, eu, Dani e Yasmim, de carro, em direção ao Maracanã para aquele Flamengo e Goiás, o primeiro jogo no Maracanã depois da conquista da Copa do Brasil, o jogo de (re)estréia do Sávio, de volta à Gávea.

Quando atravessamos a Avenida Maracanã a visão da bilheteria me assustou. Uma multidão, digna de final de campeonato (a torcida do Flamengo é de uma força avassaladora), se espremia para comprar os ingressos e eu pedi às meninas que ficassem à minha espera.

Anos e anos de Maracanã não tiraram meu jogo-de-cintura.

Em questão de segundos eu voltava com os ingressos na mão e um aperto estranhíssimo no peito.

Mas que diabos será isso?, pensava eu.

Medo de enfrentar a multidão na entrada com as duas? Mau pressentimento com o resultado?

Nada disso.

Enfrentamos o empurra-empurra da entrada (impressionante como continua, como dantes, evidente a incompetência dos homens que gerenciam o Maracanã), passamos pelas roletas e lá estava eu, depois de quase dois anos distante daquele cenário, diante da rampa das arquibancadas.

Meus poucos mas fiéis leitores, ainda bem que a Sorriso Maracanã estava comigo e é testemunha, e eu fiz uma puta força pra Yasmim não notar, fiquei com medo de assustá-la.

Eu chorava e meus olhos transbordavam grossas e constantes lágrimas, e minhas mãos tremiam, e meu peito batia numa velocidade estonteante, e minha garota notou, apertou mais forte minha mão e eu disse baixinho no ouvido dela (notem como eu sou chegado a um drama):

– Vou morrer…

Durante a subida da rampa em direção ao setor 18, viga 42, lado esquerdo de quem sobe, eu vi o Rondinelli marcar de cabeça depois da cobrança perfeita do escanteio pelo Zico, vi o Nunes estufar as redes do João Leite na histórica final do Campeonato Brasileiro de 1980, voltei a estar sentado atrás do gol em maio de 1983 assistindo o Flamengo meter três gols no Santos na final de mais um Brasileiro, e eu ouvia os gritos da torcida, e me vi moleque de mãos dadas com meu pai, lembrei-me de dezenas, centenas de jogos históricos, e cantava baixinho, pra dentro, “e agora como é que eu me vingo de toda derrota da vida se a cada gol do Flamengo eu me sentia um vencedor?”.

E chegamos ao anel do estádio, e paramos no bar, e bebemos cerveja, quando tomamos a direção das arquibancadas.

Yasmim no Maracanã, 05 de agosto de 2006

E cadê que eu parava de chorar?

Tava ficando até difícil de continuar disfarçando.

Eu ouvi quando a Yasmim perguntou baixinho, eu de olhos vidrados no gramado ainda vazio:

– Tia Dani! Por que é que o Tio Edu chorando?

Eu não ouvi o que a Dani respondeu.

Mas não tem aquela canção que diz “hoje eu quero paz de criança dormindo”?

Pois então.

Só quando a Yasmim me tascou um beijo manso no alto da cabeça, me fez uma festinha no rosto e sorriu sem dizer nada, foi que eu sosseguei.

Só fui chorar de novo aos 44 minutos do segundo tempo, quando o Flamengo, bem à sua moda, fez o gol da vitória. De alegria.

Sábado que vem, ó, nós três de novo lá, dessa vez contra a Ponte Preta.

Até.

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>FIDEL CASTRO

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O mundo acompanha, apreensivo, o estado de saúde, sobre o qual pouco se sabe, de Fidel Castro. O mundo acompanha apreensivo e preciso dizer, em nome de minha ira santa permanente, que uma escória humana, em Miami, tem feito festa na rua comemorando o fato. Uns porcos. Mas vamos em frente que hoje é dia de criar polêmica.

Eu sou, e declaro isso de pé diante do balcão do buteco imaginário, não com um chope na mão, mas com um autêntico rum cubano na esquerda e um puro na direita, um incondicional e radical (pra manter minha tradição) fã do Comandante Fidel Castro.

Fidel Castro

Eu disse que hoje seria dia de criar polêmica.

Quando se fala no líder revolucionário cubano a regrinha é ficar naquele papinho babaca de “paredón” pra cá, “ditador odioso” pra lá, “se você gosta vá então viver em Cuba” pra cá e por aí vai.

Ocorre que eu sou um apaixonado.

E é como apaixonado que considero muito-mais-que-heróica a sua forte resistência aos seguidos governos norte-americanos, implacáveis no ódio contra Cuba e os cubanos.

O covarde, nojento e imoral embargo contra Cuba, rejeitado pelo mundo inteiro mas mantido pelos arrogantes Estados Unidos da América, é – não tenho dúvida disso – apenas uma vingança estúpida contra um país socialista que não se dobrou nem se dobra diante do poder econômico dos “donos do mundo”. Não é, o embargo, como dizem os babacas que repetem há anos a mesma ladainha contra Fidel Castro, uma medida de força contra um país que representa uma ameaça aos Estados Unidos e ao mundo com sua ideologia anti-imperialista.

Fidel Castro sobreviveu a centenas de tentativas de assassinato, todas, ou quase todas, patrocinadas, planejadas e executadas por obra e graça dos sucessivos governos norte-americanos (o que aliás, convenhamos, deve ter contribuído muito para que o ódio dos governos norte-americanos crescesse na mesma velocidade com que cresciam as fracassadas empreitadas contra Fidel).

E é o mesmo governo norte-americano, com o lamentável apoio da comunidade de Miami, basicamente, que baba diante da cena aguardando o momento de sua morte – que há de estar distante! – para voltar aos tempos de Fulgêncio Batista.

Fidel Castro

E é pelo fato de eu ser um apaixonado que me comove, intensamente, a resistência que tem em Fidel seu mais alto símbolo, que me emociona intensamente a resistência do povo cubano, aos milhões, sempre que convocado, para mostrar ao mundo o orgulho que sente pelas incontestáveis conquistas revolucionárias, que só não são maiores, mais visíveis e mais acachapantes graças à covardia imunda que é o embargo-assassino imposto pelos EUA.

Hasta la vitoria siempre!!!!!

Até.

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>PASSANDO DOS LIMITES

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Ontem, comentando o texto “DEBOCHE E BOM HUMOR”, exatamente aqui, o leitor Caio Vinícius, a quem não conheço pessoalmente mas que mostrou-se, com isso, ser um dos meus na defesa da mais carioca das instituições, os butecos, chamou-me a atenção para uma anomalia anunciada no jornal de bairro de O GLOBO, da Barra da Tijuca, no domingo passado: o “boteco itinerante”. Custei a crer. Mas fui conferir, já que o Caio teve a pachorra de me mandar o link da matéria. Li, vomitei, revoltei-me mas fiz um “tsc” e deixei isso para lá, como diria o Stanislaw Ponte Preta.

Hoje cedo, chegando ao escritório, deparei-me com um email curtinho da Maria Paula:

“Boteco itinerário?

Era só o que faltava…”

Daí fui ao jornal.

Mais precisamente, fui à coluneta do Jota. Nada.

Para minha decepção – e não entrarei em mais detalhes na esperança de que tenha havido apenas um deslize cometido por uma estagiária idiota – dei de cara com a seguinte nota na coluna de um amigo:

nota publicada no jornal O GLOBO de 03 de agosto de 2006

Ser na Barra não me assusta.

Pequena pausa: eu vou propor a algum vereador corajoso que proponha a retirada do possessivo “da Tijuca” da Barra da Tijuca. A Barra é, como eu já disse, cada vez menos da Tijuca. Aliás, deixou de ser da Tijuca há muitos anos. Um bairro que tem um shopping chamado “New York City Center”, um bairro que tem uma gigantesca Estátua da Liberdade, um bairro que tem um “Loft”, um “Barra Point”, um “Barra Garden”, não é da Tijuca em nenhuma hipótese. Mas vamos em frente.

O que me assusta é ser “itinerante”.

Vejam que nojo!

Outra pausa: quando eu leio o que escreveram sobre mim o meu querido e saudoso amigo Fernando Toledo e o Pompa, no Conexão Irajá, animo-me mais a brigar. Vejam só:

“Conheci o Edu brigando, para variar. (…) Nunca vi um cara mais passional que o Eduardo: capaz de empurrar um caminhão de merda de freio de mão puxado por um amigo, e de despertar, em proporções semelhantes, o ódio dos idiotas e o amor dos seres humanos que valem a pena.”, escreveu o Fernando Toledo.

“Eduardo Goldenberg é um sujeito que se define basicamente por quatro adjetivos: apaixonado (não conhece limites para entrar de cabeça nas coisas que o movem), obsessivo (de assistir a um filme que gosta DEZENAS de vezes seguidas, até decorar os diálogos), combativo (gosta de briga como só meu avô, com a diferença que não usa os punhos nem pra matar mosquito) e fiel (um cão para com aqueles que ama).”, escreveu o pomposo Szegeri.

Voltando.

É revoltante essa agora de “boteco itinerante”. São os investidores – no caso os do Conversa Fiada, bar de merda no qual já bati dezenas de vezes aqui mesmo no Buteco – querendo imitar o artista, que tem que ir aonde o povo está.

Onde já se viu um buteco, e refiro-me aos sérios, como o Rio-Brasília, como o Bar do Chico, como o Quitutes da Vovó, como as dezenas de butecos gloriosos da Rua do Matoso, montado numa kombi, num caminhão, nem sei de que forma esses imbecis transportarão o “boteco itinirante”, indo para lá e para cá atrás de dinheiro apenas?

O buteco tem sua alma, e sua alma tem muito a ver com sua localização.

Qual a graça do Bar da Amendoeira sem a sombra da amendoeira, santo Deus?

Qual a graça do Rio-Brasília sem aqueles azulejos azuis e pretos nas paredes?

Qual a graça do Bar do Chico sem aquela esquina da Pardal Mallet?

Volto ao tema, evidentemente, qualquer dia desses.

Mas “boteco itinerante”, numa boa… tirou-me do sério.

Deixa esses caras pintarem aqui na minha área.

Até.

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>2 DO 8

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Hoje, dois de agosto (daí o 2 do 8 do título), se viva fosse (e ela está viva, mas dentro de mim), a Pimentinha faria nove anos e tenho, nesse exato instante, enquanto afago com o pé direito o Pepperoni, que tem se mostrado um puta parceiro e que dorme ao meu lado, olímpica saudade da mais doce cocker-spaniel de que se tem notícia.

Pepperoni

Faz anos hoje, também, meu queridíssimo Augusto Diniz, a quem ergo o copo diante do balcão imaginário. Falei no Augusto e tenho que recomendar a vocês, leitores de São Paulo, um programaço para essa sexta-feira e para o sábado, 4 e 5 de agosto, a partir das 21h, no SESC Pompéia, na Choperia, na Rua Clélia 93, mais detalhes aqui. Dá uma vontade danada de ir a São Paulo ver o show e beber, in loco, com o Augusto, que inventou o furdunço, deu forma a ele e o troço acontece, lindo, nesse final de semana. Sem contar que a Juliana Amaral, minha também queridíssima Ju, vai cantar. Aí a certeza de que o troço acontece, lindo, nesse final de semana, triplica. No mínimo!, como diria o Fernando Vanucci (se você não entendeu esse “no mínimo!”, aguarde que dia desses eu explico).

molho de tomate

Ontem, sem nada planejado previamente, o Mauro, meu irmão e cada vez mais meu irmão, esteve aqui em casa para jantar conosco. Ligou-me e convidou-se, como fazem os irmãos. E eu fui de uma franqueza rigorista:

– Não temos nada em casa, Mauro.

– Levo tudo, o vinho inclusive.

Vai daí que o Mauro trouxe seu molho de tomate, indescritível, preparou uma pasta deliciosa, chegou com um vinho nacional espetacular, o Rio Sol Syrah Reserva 2003, e atravessamos a noite sem senti-la pesar sobre as costas, ainda mais numa terça-feira, quando a noite pesa muito mais do que num final de semana, por exemplo.

penne com molho de tomate

Falei da noite de ontem e preciso fazer uma mínima confissão.

Ontem fez anos o Bruno Gaya. Hoje meu colega, competente advogado, parceiro de trabalho do Fraga, minha mais recente aquisição afetiva, sempre foi, pra mim, o Bruninho. Sobre ele eu posso dizer:

– Esse eu peguei no colo.

E eis aí, nessa frase tola – “esse eu peguei no colo” – o atestado da minha antigüidade.

O Bruno é daquele que, como o Tico, me arremessa ao passado com um simples olhar, ou mesmo com um “alô” pelo telefone. Sobre o Tico e sobre esses arremessos, escrevi aqui.

Basta eu dar de cara com o Bruninho, de terno e gravata, seríssimo, e é como se milhares de indicadores roçassem meu nariz com os gritos ao fundo:

– Velho! Caquético! Antigo! Matusalêmico! Múmia!

Ergui também, ontem à noite, – por isso falei dele agora – o copo à saúde do Bruninho.

E fechando o texto de hoje, buscando com isso elevar a audiência no Buteco, e conseqüentemente elevar a audiência do VQEB, excelente blog, uma foto do meu irmão e cada vez mais meu irmão, autor do dito blog.

O Mauro, que fique claro.

Mauro, primeiro de agosto de 2006
Até.

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DEBOCHE E BOM HUMOR

Negóssiguinte: abril já passou faz tempo. Estamos entrando em agosto. Então que porra de depressão nojenta é essa? Nem depressão é. Deixa eu tentar explicar melhor. Então que porra de vontade de morrer é essa? Não. Sem drama. Neguinho que gosta de mim (no singular mesmo) pode ficar preocupado. Então que cansaço é esse? Isso! Isso! Isso! Que cansaço é esse? Contra ele, que tem sintomas semelhantes à depressão e à vontade de morrer, somente um remédio: deboche e bom humor. Melhor que isso: auto-deboche e bom humor!
eu, primeiro de março de 2006

E farei digressão brevíssima sobre o tema já que hoje o dia tá que tá, o que é, aliás, outra boa forma de combater o cansaço, a depressão e a vontade de morrer: tempo integralmente ocupado.

Eu sei a razão pela qual estou desse jeito.

O Pompa esteve aqui.

E estou assim, desse jeito, com vontade de chorar e fazendo bico o dia inteiro (a foto é o mais claro sinal de que debocho de mim mesmo hoje), não exatamente porque ele esteve aqui nem exatamente porque ele foi embora. Mas porque o contato com o Pompa, o convívio com o Pompa, atiça meus mais primitivos instintos, lustra a massa com a qual fui moldado, afia a faca da língua ferina que tenho na boca e nos dedos. Não é outra a razão que faz com que, durante o tempo em que estamos juntos, eu urre como um solitário diversas vezes:

– Só mesmo o Pompa pra me entender!

Eu escrevi “atiça” e lembrei do tempo em que vacas tentavam destruir meu pasto. Piggaros e em frente.

Ontem briguei com o Fefê.

Ontem briguei com o meu pai.

Ontem briguei com a minha mãe.

E cheguei em casa exausto.

Cansado.

Por que? – eu bradava para o Pepperoni que não me respondia – Por que eu sou assim desse jeito?

O que chamam de radicalismo, eu chamo de coerência.

O que chamam de rancor, eu chamo de coerência.

O que chamam de instransigência, eu chamo de coerência.

O que chamam de beligerância, eu chamo de coerência.

Ó.

Tá difícil.

Mas eu quero é mais.

Até.

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