>FUTON NA TIJUCA

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“Tenho passado tão mal
A minha cama é uma folha de jornal”

(Noel Rosa)

A foto, tirada em 30 de janeiro de 2005, mostra dois tesouros, Betinha e Dani Sorriso Maracanã, abraçadas num dos quartos do apartamento de Betinha e Flavinho, aliás, ambas, juntas, pela segunda vez na semana aqui no Buteco, embelezando demais o furdunço virtual. Mas não é delas que vou falar hoje (antes fosse, antes fosse!). É do futon. Mas não é desse futon que vou falar hoje (e de novo, antes fosse, antes fosse!).

É do nosso, meu e de Dani. E quem diria. Explico.

Quando naquele janeiro de 2005 eu adentrei o apartamento no Flamengo e vi um Flavinho (egresso do Cachambi), eufórico, gritando pra mim e pra Dani “venha ver nosso futon”, deu-se um deus-nos-acuda. Olhei pra Dani e disse:

– Topas? – perguntei já afrouxando o cinto.

E ela sem entender minha pergunta:

– Topo o quê?

– Assistir ao futon deles… – pensei naquilo, pensei naquilo!

Dani, Betinha e Flavinho rolaram no chão de rir enquanto me explicavam – e me mostravam – o tal futon.

Passaram-se meses e fomos, eu e Dani, à São Paulo, e ficamos, como é praxe, hospedados na casa de meu mano Szegeri e da Stê. O Szegeri, que tem os olhos saltados e expressivos, abriu-nos a porta com um sorriso quase-Maracanã (mas bem mais feio, refiro-me ao tamanho). E disse:

– Tcharammm! Temos uma sur-pre-sa pra vocês… – e levou-nos, pé ante pé, até o quarto dos fundos, onde sempre dormimos sobre um colchão de casal posto no chão, sem estrado. Confortabilíssimo.

Abriu a porta devagarinho, acendeu a luz e gritou:

– Compramos um futon para vocês! – e ficou dando saltos ornamentais desajeitadíssimos sobre a coisa.

Eu, confesso, tive vertigens. Estava, definitivamente, disseminada a epidemia do futon.

Tive uma noite péssima. Suei horrores e senti a pele pinicada por uns troços que os fãs do futon chamam de algodão, fibras naturais e látex (todos repetem a mesmíssima coisa). E bradei aos céus cinzentos de São Paulo na manhã seguinte:

– Nunca (usei a mesma ênfase no “nunca” do Szegeri) vocês me verão embarcar nessa onda oriental modernosa! Nunca!

Pois bem.

Ontem à tardinha a Sorriso Maracanã me telefonou lânguida:

– Gugu… (não sei a origem do apelido)… você não quer vir me encontrar aqui na Barra, não?

– Aonde? (é assim: eu ouço a palavra “Barra” e tenho reações estranhíssimas)

– Ah, Gugu… vem…

Eu fui. Sacumé… Quinta-feira. Uma canícula quase que insuportável. Paguei pra ver.

No meio do caminho toca o celular.

– Gugu… me encontra aqui no Casa Shopping?

– Aonde? (é assim: eu ouço a palavra “shopping” e meus batimentos vão à lua)

– Ah, Gugu… vem…

Eu fui.

E deu-se a hedionda realidade.

Dani levou-me a uma loja para comprar o quê?

Um futon.

Diante de meus rodopios diante da entrada do estabelecimento, a vendedora me abanando com um leque com motivos japoneses, Dani disse:

– Calma, Gugu… É pro Szegeri, tadinho… Pra Stê… Eles nunca têm conforto lá em casa…

– Pra quem?

– E além do mais, a Guerreira tem futon, a Fumaça tem futon…

– E daí, porra?!

E vendedora, tadinha, tentando ajudar, fez merda:

– É… e o Ed Motta esteve aqui na semana passada e também comprou um…

– Quem?

Nem fui respondido e partiram as duas de mãos dadas pro interior da loja.

Meus queridos leitores, não resumiu-se a um futon. Eu assisti, impávido e impotente, a vendedora (dona de uma lábia capaz de fazer o Brizola no auge parecer um petiz no Jardim de Infância) convencendo a Dani.

Não bastava comprar o futon. Era preciso uma sobrecapa, dois zabuton e duas almofadas fofas. E a Dani:

– Gugu… gostou?

Como eu apenas chorava, borrando os quatro cheques pré-datados, não respondi.

Vou explicar resumidamente a coisa.

Um colchão custa “x”. Um futon, muito mais desconfortável, “5x”.

Uma almofada comum custa “y”. Uma almofada fofa, “10y”.

E se uma almofada fofa custa “z”, um zabuton custa “15z”.

Porra! Um zabuton!!!!! Ia me esquecendo de lhes dizer o que é um zabuton (e o faço com uma vergonha olímpica…). Zabuton é uma almofada idêntica a uma almofada comum, mas segundo a vendedora muito, muito, mas muito mais fofa que a almofada fofa.

Como é que eu vou explicar aos meus antepassados, aos meus contemporâneos, ao próprio Szegeri, cacete, que eu terei, em trinta dias, dois – eu disse dois! – zabuton em casa?????

Até.

5 Comentários

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5 Respostas para “>FUTON NA TIJUCA

  1. >O Guia Rio Botequim há muito já deu o que tinha que dar. R.I.P.

  2. >Grande quadro Edu! De volta aos quadros de muito humor. Muito bom dá um filme na cabeça da gente. Abraços.

  3. >Nossa, morri de rir só de imaginar sua cara! ahaahahahah

  4. >Esse é o Edu do livro! O Edu publicado! Gosto mais!

  5. >Se até eu me adaptei, você pode. Acho que vai até gostar.

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