ID OTTA

“Não fala com pobre, não dá mão a preto
Não carrega embrulho
Pra que tanta pose, doutor?
Pra que esse orgulho?
A bruxa que é cega esbarra na gente
E a vida estanca
O enfarte lhe pega, doutor
E acaba essa banca
A vaidade é assim, põe o bobo no alto
E retira a escada
Mas fica por perto esperando sentada
Mais cedo ou mais tarde ele acaba no chão
Mais alto o coqueiro, maior é o tombo do côco afinal
Todo mundo é igual quando a vida termina
Com terra em cima e na horizontal”

(Billy Blanco)

É hoje que meu irmão Szegeri solta fogos novamente comemorando breve retorno à moda de “Sentando o Cacete”. Vamos transcrever breves trechos de odiosa matéria veiculada na revista “Isto é”, de primeiro de março de 2006.

““Para ficar perfeito, o chá tem de ser preparado com água mineral.” Mais receita: “Preferencialmente com spring water, ou água de montanha. A nossa água de Petrópolis também é boa.” Quando lhe dizem que a sua nova mania sai caro, ele concorda. E esnoba: “Não é para o povão, mas eu não consumo nada do povão. Felizmente! A não ser que seja o povão da Itália, o povão da França.” Nessas horas, Ed Motta comprova pelo temperamento que é mesmo sobrinho de Tim Maia – de quem, aliás, não gosta de falar. “A gente não se dava bem. Personalidades diferentes, sabe?” Ele se entusiasma, e muito, quando o tema é 7, o musical, que estréia este ano no Rio de Janeiro com direção de Charles Moeller, letras de Cláudio Botelho e, claro, músicas suas. Após a temporada no Rio de Janeiro, esse musical desembarcará em São Paulo, cidade que o carioca Ed Motta adora: “Só não mudo para Sampa porque tenho dependência física do Rio.””

Que tal? Peço a ajuda da tropa de choque, Fernando Szegeri, Zé Sergio Rocha, Marcão, Augusto, Flavinho, Fernando Borgonovi, Julio Vellozo.

Supostamente um cantor popular – como é citado em inúmeras outras matérias – o sobrinho do Síndico Tim Maia, que deve estar bem puto com o balofo, diz, com todas as letras, que odeia o que é do povo, do seu povo, preferindo o povão italiano e o francês. Não é à toa, convenhamos, que “não se dava bem” com o tio. E convenhamos de novo… Personalidades diferentes é o cacete!

A lamentar, ainda, o fato de que o povão, que gasta seu suado dinheiro para ir assistir a seus shows, não compra revistas e seguramente não lê a “Isto É”. Porque isto é, no mínimo, um escárnio, um escândalo, um nojo repugnante. E soubesse, o povo, como pensa o homem que só bebe chá com spring water, e seus shows seriam de um vazio merecido.

E se tem, o idiota (valho-me da definição “2” do Houaiss para a palavra: “diz-se de ou pessoa pretensiosa, vaidosa, tola”), como alega, dependência física do Rio, o Rio, o verdadeiro Rio de Janeiro, o Rio do povão carioca, por sua vez, tem com o balofo uma incompatibilidade de caráter, de comportamento, uma incompatibilidade química mesmo, olímpica. Vejam vocês! Fazendo um pequeno teste, tentei baixar, agora, via internet, um de seus CD´s. O antivírus o bloqueou.

Eu vou chamar o Síndico! Tim Maia!

Antes de fechar, um detalhe.

Eu bato, há anos, no Guia Rio Botequim, editado pela Casa da Palavra com apoio da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. Desacredito nele, como guia e como referência na matéria. Há os que discordam de mim. Se eu lhes disser que o Ed Motta é jurado dessa bosta, o que vocês acham? Por que não tenta, o pernóstico balofo, uma vaguinha no corpo de jurados do Guia Michelin, direcionado para o povo francês?

Até.

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16 Comentários

Arquivado em imprensa, música

16 Respostas para “ID OTTA

  1. >Esse cidadão aí, certa vez, disse que queria ser americano, e que detestava música brasileira. Depois, ele disse que ouviu Tom Jobim e chorou, arrrependido do que disse. Então eu acho que ele tem um sério problema de identidade. Freud explica. Jurado do guia Rio-Botequim é demais. Quero saber qual o boteco do Rio que, para acompanhar sardinhas, moelas e torresmos, serve chá com “spring water”. Como alguém que diz que não consome nada que é do “povão” pode ser jurado de boteco? Proponho uma campanha para que ele seja destituído desse “cargo”. Alguém aí tem o e.mail da editora???

  2. >Marcão, é capaz de servir no Belmonte… O problema não é o Otta, meu caro amigo, o problema é o tal Guia que, como já digo há tempos, é o verdadeiro vade mecum dos otários.Quanto ao mais, mano Edu, embora eu realmente vibre com as hoje lamentavelmente só esporádicas ressurreições do gênero bateu-levou, esse defunto aí não vale a vela. Aliás, poucos tem feito por merecê-las.

  3. >Não li a entrevista. Porém, pelas declarações do entrevistado postadas em seu blog, constata-se, mais uma vez, que a imprensa tá tendo pouquíssimo critério no que faz. Há uma duas semanas deram uma página de entrevista com a Juliana Paes na revista Época. A mulher é deslumbrante, mas suas respostas às perguntas foram uma das coisas mais frívolas que já li nos últimos cinco anos. Meu Deus, como se gasta espaço com besteira na imprensa (inclusive aqueles veículos que a gente espera – ou deveria esperar ou desejar – um mínimo de lucidez na seleção das notícias, que é o caso da Época e da IstoÉ). O cinismo do governo e da oposição na crise política têm contaminado todos os ambientes. Artistas e músicos têm se comportado como se nada tivesse acontecendo no País. Eles têm sido tão fúteis como aqueles que a gente vê listados pra falar na CPIs.

  4. >MARCÃO: não sei o email da Editora, mas não creio que fossem ouvi-lo, infelizmente. Dele, júri, fazem parte também o Moacyr Luz e o Baiano, que batalharam, por exemplo, para que o Belmonte entrasse no Guia Vade-Mecum de Otário. Talvez os dois possam ser portadores de seu protesto. Se eles tiverem com a Editora um terço da moral que têm com o investidor do Belmonte, você obtém êxito.MANO SZEGERI: querido… queres que eu bata mais em quem, querido? Se você mesmo reconhece que ninguém está a merecer porrada… Por que você não está gostando do Buteco? Diga-me. Por favor. Um Otto na íntegra não pode me negar esse conselho.GUGU BILTRE: olha, francamente, como diria meu saudoso Leonel… Entre as bostas que diz o Idd Otta e as frivolidade que diz a Juliana Paes, fico com ela. Esse teu discurso me fez lembrar do Aristides, que reclamou dos peitos da Juliana Paes, das coxas da Vera Fischer, dizendo que não agüentava mais (santa!) tanta pouca-vergonha. A imprensa vendeu-se há tempos. O cogumêlo de poder (assim mesmo, com acento circunflexo no “e”, à moda brizolista) não dá mais brecha para qualquer vida inteligente, salvo raríssimas exceções que vêm sendo postas, aos poucos, para escanteio.Beijo nos três.

  5. >Adoro esta canção do Billy Blanco. Boa lembrança!

  6. >Sobre o Guia: ao que eu saiba, não sai mais;;;;

  7. >MARCELO: mais que uma boa lembrança, sinceramente, cabe como uma luva de boxe na fuça do balofo.Quanto ao Guia, não perdemos nada sem ele. Além de ser uma idéia roubada da minha Dinda (um dia falo sobre isso), prestava-se, nas últimas edições, a servir de trampolim para os investidores dos bares-bancos como, por exemplo, o Belmonte, onde vários “jurados” não pagam a conta até hoje. E para valorizar o passe de garçons medíocres que passaram a cobrar até R$100,00 por um boa noite.

  8. >É mesmo?? Inventaram o garçom-puta? R$ 100,00 por uma boa noite?

  9. >MARCÃO, meu caro Marcão…Faça o teste.Os dois bares a que me refiro são dois cânones do vade-mecum de otário, o Rio Botequim: O Jobi e o Bracarense.No primeiro, procure o Paiva. No segundo, o Chico.Como você não é íntimo de nenhum dos dois, claro, que você é um cara sério, eles OU fecharão a cara pra você como um bulldog com raiva OU estenderão a mão, como uma messalina, aquele sorriso canalha no canto da boca, e a perguntinha, “quantos chopes”?Experimente.

  10. >Minhas desculpas por ter chegado tarde ao pelotão de fuzilaria. É que ontem estive enrolado. Meus caros, o Ed Motta tem um lado alvo, um lado negro e um terceiro lado alvinegro. O primeiro é lamentável. O segundo pouco se manifesta e, apesar do carinho que o Nei Lopes tem pelo sobrinho bobinho do Grande Síndico, não comungo do entusiasmo do mestre por ele. Sobra o amor que o rapaz nos faz crer que tem pela estrela solitária. Estou presente, sim, ao pelotão de fuzilaria, mas em homenagem a um dos maiores intelectuais brasileiros e ao Glorioso, peço que me destinem uma espingarda com balas de borracha.

  11. >Antes tarde que mais tarde, digo:Como cantora, esse cara não canta música brasileira, nem em português ele canta, fica fazendo malabarismo vocal de segunda categoria e só dá certo no Brasil (dá certo?) porque não tem coragem de fazer isso em terras yanques, onde se balançar a árvore caem uns quatro muito melhores que ele; rejeitado pois que foi pela natureza, que o fez nascer aqui e não lá (para nossa infelicidade e desgosto, mal sabe ele que o azar é todo nosso), só resta ao bocó ficar aí arrotando caviar e spring water. O que me retorce as vísceras é saber que tem gente que macaqueia aos pés de sua volumosa impáfia. Argh.Como mulher, eu também fico com a Juliana Paes, primeiro porque tem um nome lindo, segundo porque a gente pode tirar o volume dela e só olhar, e o rapaz, francamente, nem em noite de sexta-feira santa chuvosa sem luz elétrica e sem cigarro é possível cogitar qualquer coisa parecida – são três dias correndo sem olhar pra trás. Argh, argh.Como leitora, os textos-paredão são das melhores coisas desse buteco, danem-se outros motivos quaisquer; eu, que tenho uma natureza cristã que me obriga a procurar doentiamente a centelha divina que deve haver em cada ser vivente, vivo neles um paradoxo dolorido e delicioso de me ver cada vez um pouco mais e definitivamente desiludida com a raça humana e, ao mesmo tempo, amar também cada vez mais quem vale à pena.beijos feminis aos rapazes.

  12. >Essa declaração ridícula do Ed Motta me fez lembrar de uma tão ou mais infeliz de outro famoso:”ÉPOCA – Você acha que a música americana é melhor que a brasileira? Caetano Veloso – É, sim. Com o jazz, Cole Porter, Irving Berlinn e Gershwin; com a soul music e o rock; a música americana tem enorme riqueza, apesar de Caymmi, Tom Jobim, Chico e Gil. E os americanos têm James Brown. A influência dele é tamanha que hoje todo o mundo no Brasil se chama Brown: Mano Brown, Charlie Brown Jr., Carlinhos Brown!” Não é demais??????Lamento dizer que gosto muito do som do Ed Motta, mas confesso que fiquei com nojo! Passa amanhã!! Ju: noite de sexta-feira santa chuvosa sem luz elétrica foi de rolar de rir…beijos a todos

  13. >Geeeente…AUGUSTO: você espera lucidez da Época e da Isto É??? Vou fazer de conta que não li isso.MARCÃO: Cê não sabe da missa a metade…DINDA: Amicus Plato, amica magis veritas. Tradução: Passa amanhã, Dinda! Vai catar coquinho! Vai ver se eu tou na esquina! MANO EDU: Leia a Juliana, leia a Juliana… JULIANA: Ah, Juliana… A Paes não dá nem pra saída. Obrigado.

  14. >Mais uma prova de como estão vilipendiando a sagrada instituição do boteco. Com um ego desses não dá para ver se chopp tem colarinho ou se tem vagem no bolinho.Quanto ao comentário elitista, dá vontade de levar o imbecil para um banho no canal do mangue e perguntar se a agua é boa para chá.

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