UM JANTAR, O PRESENTE

“O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica…”

(Vinicius de Moraes)

Ontem, sábado, nossa última noite com a Pimentinha, mantendo uma tradição de há séculos (eu acho que sou assim há dezenas de vidas), decidimos, eu e Dani, pra afastar a tristeza, fazer um jantar pra comemorar as alegrias que tivemos ao longo de pouco mais de oito anos na companhia da mais doce cocker-spaniel do planeta.

Convidamos Betinha e Flavinho e fui às compras. Uma garrafa de espumante, amendoins, carpaccio de salmão, alcaparras, arroz italiano, parmigiano reggiano, vinho branco, açafrão, pimenta rosa, manteiga, cebola, vinho tinto, bastante cerveja, uísque e os dois chegaram às nove e meia da noite.

Bebemos, brindamos à graça do encontro, à vida da Pimentinha, e depois do carpaccio de salmão com espumante, fui à cozinha e preparei um de meus pratos prediletos, risotto alla zafferano. E a mesa foi uma festa de “ohs” e “ahs” diante da excelência da comida.

Mas isso foi apenas introdução para lhes contar sobre um gesto da Betinha, daqueles de encher o coração de festa e a alma de alegria.

Chegou-se à Dani, a Betinha, e meio sem-jeito disse ter um presente pra ela. Sem embrulho, já que não fora comprado. Era dela, Betinha, mas ela tinha (foi o verbo que ela usou) de entregá-lo à Dani. E sacou da bolsa um colar, o colar que ilustra o texto. Cheio de pimentas dedo-de-moça. Dani foi um sorriso só (o Maracanã de novo lotado!) e eu fiquei ali, de longe, segurando o choro e com vontade de dizer um obrigado maior que o sorriso da mulher que me ensinou a sorrir.

Digam se há coisa mais bonita no mundo que ter um amigo…

Não há.

E ficamos os quatro bebendo a saideira, Betinha fazendo declarações públicas de amor ao Flavinho, que devolvia tudo de primeira, eu e Dani trocando olhares de saudade da cachorrinha mais linda do mundo, quatro amigos em estado bruto de graça. A eles dois, a ela, Betinha, especialmente pelo gesto indizível, meu carinho, meu amor, meu muito obrigado, mesmo ciente de que não há agradecimento capaz de dimensionar o que a gente sente numa hora dessas.

Até.

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1 comentário

Arquivado em gente

Uma resposta para “UM JANTAR, O PRESENTE

  1. >Quero muito escrever em resposta a vocês, mas não sei o que dizer. É realmente impossível explicar o que sentimos nestas horas.Um beijo ENORME com muito amor e carinho para vocês. É tudo que consigo colocar em palavras.

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