SUPERBACANA

“… estilhaços sobre Copacabana
o mundo em Copacabana
tudo em Copacabana, Copacabana…
O mundo explode

longe muito longe
o sol responde
o tempo esconde
o vento espalha
e as migalhas caem todas sobre
Copacabana…”

(Caetano Veloso)

Alguém há de me perguntar:

– E aí? Foi bom o show dos Rolling Stones?

E eu responderei orgulhosíssimo:

– Não tenho a menor idéia.

Eis aí a verdade um tanto quanto frustrante para o meu interlocutor imaginário. Não saberia dizer nada, rigorosamente nada, sobre o que se passou durante o show que os jornais do mundo inteiro anunciaram como o maior show de rock de todos os tempos. Tudo o que posso fazer, então, já que o assunto é praticamente inevitável, é dar meu testemunho preciso, como sempre faço.

Chegamos, como dois bons tijucanos, eu e Dani, às onze da manhã no apartamento do Dr. Bulhões, pai da Maria Paula que, como de costume também (foi assim no reveillon), ainda não havia chegado. Ficamos, então, de papo com a Santa na cozinha. Mentira. Fiquei pouco tempo na cozinha. Dediquei-me mais a babar, literalmente (pendiam babas olímpicas de minha boca), diante da impressionante, portentosa, gigantesca e preciosa biblioteca do Dr. Bulhões. Tomei coragem para folhear algumas páginas do livro “Notas Sobre o Rio de Janeiro (e partes meridionais do Brasil)” – para me humilhar, havia dois exemplares… – de John Luccock, edição antiqüíssima, e não saberia lhes contar da emoção que vivi naqueles momentos. Um dia desses debruço-me sobre o tema.

Como um bom tijucano, ainda (fui, durante todo o sábado, um tijucano fanático, nos gestos, nas falas e no comportamento), fotografei parte das 50 pulseiras que dariam livre acesso ao edifício, bem diante do palco, para 50 afortunados amigos da Maria Paula (eu fui o mais afortunado, eis que pude estacionar meu Brizolamóvel na garagem do Chopin).

Fomos à praia assim que a Maria Paula chegou. Isso por volta do meio-dia. Lá encontramos o Mauro (que assistiria ao show noutro lugar) e preciso lhes dizer que a Sorriso Maracanã estava emocionada de forma aguda. Fica sempre assim, já lhes contei, quando há grandes eventos, grande concentração de pessoas, e isso assume proporções gigantescas quando o furdunço é no Rio de Janeiro. Bebemos uma boa dúzia de latinhas de cerveja a R$2,00 cada. Hilária era a abordagem dos vendedores:

– Vocês são do Rio?

– Somos.

– Ah, tá. Então é dois real. Pros gringo é quatro real!

Despedimo-nos do Mauro por volta das três horas e tomamos o rumo do apartamento, eis que a festa estava marcada para começar às quatro da tarde. Banhinho, almoço caprichado feito pelas mãos santas da Santa, e foram chegando os convidados, sendo desnecessário dizer que os tijucanos, é claro, foram os primeiros: Manguaça, Fernanda, Lelê Peitos, Vidal, Gláucia, Fefê, Brinco, Zé Colméia, Vinagre, Guerreira, Zé, e mais Miguel, Juliana, Denise com o marido (esqueci o nome, e minha precisão não me permite correr atrás da informação, eis que até os lapsos eu mantenho intactos), Magali, Ricardo, Ju, Dan, e quero lhes contar algo comovente.

Para comer, a Maria Paula encomendou toneladas de salgados árabes. E para beber, apenas cerveja. Mas a Denise e o Vidalzinho chegaram com garrafas de uísque e disseram, ambos, o seguinte:

– Edu… trouxe um uísque para nós!

Daí fui tijucano de novo. Levei-os à cozinha e escondi as garrafas. Apenas nós sabíamos a localização dos tesouros e bebemos demais. As pedras de gelo rolaram a noite inteira em meu copo, onde eu servia doses VM, à Vinicius de Moraes, até o topo, para desespero da Dani…

Essa foto aí foi tirada às 16h50min e dá bem a dimensão da beleza que foi a multidão de gente nas areias e nas ruas e de barcos no mar. O espaço vazio diante do palco foi ocupado pelos chamados VIP´s, uns escrotos em sua maioria. Mas vamos em frente.

O show começou por volta das sete, com a apresentação do AfroReggae e depois dos Titãs, e no instante em que os Titãs pisaram o palco a sala do apartamento transformou-se numa pândega absoluta. As pessoas quicavam, disputavam espaço na janela e dois aparelhos de som, no máximo volume, transmitiam ao vivo o show, o que transformou aquele apartamento num troço perfeito. Longe da muvuca da rua (não se via um mínimo pedaço de chão, de areia, nada), estávamos confortavelmente instalados e com uma visão mais que privilegiada.

Às oito e quinze a multidão era ainda mais impressionante (e lamentavelmente a bateria de minha câmera acabou, o que impossibilitou que eu fizesse mais fotos durante o show dos Stones).

Começou o show dos Rolling Stones e de nada me lembro.

Em primeiro lugar porque as duas garrafas de uísque (e mais uma terceira gentilmente cedida pela Maria Paula) estavam devidamente mortas.

Em segundo lugar porque foi emocionante demais ver a Praia de Copacabana, maiúscula, literalmente tomada de gente que, pisoteando Rosinha e César Maia, dois que lutam, diuturnamente, para achatar o astral dos cariocas, deu uma aula de civilidade, de alto astral e de bom humor.

Acordei às oito da manhã de domingo sem a mínima noção do que se passou no fim da noite.

Mas com a mesma sede dos domingos. Às dez já estávamos na casa de Isaac e Mariazinha para um café da manhã com o Cris, meu irmão que mora na França, e que veio ao Brasil para passar o Carnaval.

Resultado de tudo isso: eu e Dani vamos, muito provavelmente, em junho, para o Rock in Rio em Lisboa. Mais detalhes depois.

Até.

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3 Comentários

Arquivado em gente

3 Respostas para “SUPERBACANA

  1. >Edu,eu também pouco vi do show dos Rolling Stones. Na verdade, eu não estava nem aí para eles. Queria mesmo era ter vcs em casa, comendo e bebendo em quantidades à VM. Vcs são sempre benvindos! As portas (e a garagem) estarão sempre abertas. BEIJOS!

  2. >Para quem disse que não ia chegar nem na janela…. :)Eu não cheguei na janela, mas fui andando do Leblon até lá.E fui literalmente na areia.Cheguei em frente ao palco por volta das 16:30hs/17:00hs.Obviamente minha máquina estava na mochila. Durante o trajeto a tirei timidamente algumas vezes de lá.Derepente olhei pro Copacabana Palce e vi a foto! Enquadrado: o Cristo, a bandeira do Brasil logo abaixo e o hotel cheio de gente numa determinada janela.Tirei a máquina, fiz a foto e não guardei de novo. Fiquei fotografando as pessoas, os prédios, tudo, até acontecer comigo o que aconteceu com você: a bateria acabou!!Uma pena!Detalhe, no meio daquela gente toda, em nenhum momento me sentiameaçada, diferentemente do que diziam os urubulinos de plantão.Estava divertido, totalmente eclético!Lá pelas 19:00 hs, tomei o rumo de casa, a pé.Vi o show exausta e refestelada no sofá de casa.Mas devo confesar que gostei MUITO mais do Ney Matogrosso, visto no dia anterior no Canecão!Pronto, falei!! que venham as stones…. PS: Uma coisa me impressionou: Não vi uma única lata de lixo extra, nem na areia, nem na rua!!!!

  3. >se não fosse a Dani salvar a dor insuportável de cabeça que tive, não teria achado a noite muito boa! agora preciso saber como se fazer pra ter vaga na garagem, so mesmo sendo da familia, rsrsrssr.sem contar que fechei no domingo com muitos choppinhos e vendo o Edu soltar sua voz. beijos Dani e Edu

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