>PAJELANÇA

>

“Coração independente,
coração que eu não comando…
Vives perdido entre a gente
teimosamente sangrando,
coração independente…”

(Amália Rodrigues – Alfredo Duarte)

Na foto, tirada por mim, Mauro, Inês e Dani, minha Sorriso Maracanã, no Bar do Mineiro, em Santa Teresa, 03 de dezembro de 2005. Eu disse 03 de dezembro e preciso lhes contar que no dia 02 de dezembro estivemos os quatro no Trapiche Gamboa até bem depois da meia-noite, quando aportamos no Capela, na Mem de Sá, na Lapa. Estávamos, Mauro, eu e Dani, empenhados em mostrar à Inês, portuguesa de quatro costados morando atualmente em Boston, o Rio de Janeiro e seus encantos (mesmo quando chove).

E por que Pajelança como título?, sou capaz de ouvir daqui as perguntas. E vou explicar.

Há semanas que o Buteco anda carregadíssimo. Emoções em demasia, à flor da pele, um tanto de tristeza que vem dessa beleza das descobertas que os encontros e os desencontros proporcionam, e eu achei que seria bom fechar a semana com uma certa dose de humor. Assim o farei, portanto (vocês não perdem por esperar…).

Vamos à pajelança, eis que tenho uma certa intimidade com os índios. Vamos evocar coisas boas, pôr a maré pra cima, varrer a angústia que me assolava (ainda assola, penso, mas hoje quero espantá-la) e rir. Porque vocês hão de rir com o que virá (vocês não perdem por esperar, quero repetir).

Como eu disse fomos ao Trapiche Gamboa na noite de sexta-feira. E Mauro apresentou Inês a mim e a Dani. E a Inês foi de uma doçura imensa, tremenda, e nunca é demais repetir que, como eu tenho feito, fez questão de expor a todos seu bem-querer, vejam aqui (cliquem sem medo no link, abrirá noutra janela, tenho aprendido truques para lidar com blogs). Vai daí que ficamos no Trapiche até bem tarde. E bebemos consideravelmente. E a fome nos disse “olá!” a certa altura. Eu e Mauro, com sede de mostrar o Rio à moça dissemos em côro:

– Cabrito no Capela!

E lá fomos nós.

Daí vejam vocês do que é (e do que foi) capaz um tijucano olímpico como eu.

Constrangendo nitidamente a pobrezinha da Inês, exigi que ela fizesse um filminho:

– Quero cantar para homenageá-la! – disse com um copo de chope na pressão na mão.

Notei, segundos após o meu pedido, um olhar da Inês em direção ao Mauro e à Dani pedindo aprovação. Ambos, amplos conhecedores de meus hábitos, disseram que sim com a cabeça como quem diz “não o contrarie, faça o filme”. E Inês fez.

E vejam, meus amigos, o que se deu.

Notem bem, ao ver o vídeo, eis a surpresa (como anda muderno o Buteco!), algumas coisas bastante patéticas.

Para homenagear a Inês não escolhi um samba, o que seria óbvio já que estávamos na Lapa, no coração do Rio de Janeiro. Escolhi um fado tristíssimo, e que diz muito do que me vai na alma nesses tempos superlativos.

Notem como soa ridículo o sotaque que imito! E minha grossura olímpica, lá pela altura dos 25 segundos de filme, quando a Inês apenas solfeja me acompanhando e eu, mão à frente, digo “Vira a câmera! Você tá cantando!” (mamãe não perdoará essa escassez de educação…).

Notem o talento (pigarros) do Mauro batucando (eu disse b-a-t-u-c-a-n-d-o) sem nenhum ritmo no acompanhamento mais bisonho para um fado.

E notem, mais, o diálogo patético no finalzinho…

Digo eu, orgulhoso (de quê?):

– É isso?

E ela:

– É! Lindo! Super aprovado! – num carregado sotaque lusitaníssimo.

E eu, bem cavalo, sem nenhuma classe, devolvo:

– Super o quê?!

Notem que o filme acaba ali, num corte feito pelo susto com a minha, digamos, tijucanice.

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Até.

14 Comentários

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14 Respostas para “>PAJELANÇA

  1. >Aiiiiiiii!Liiindo DEMAIS!!! Super aprovado, sempre, sempre, sempre!Aiiiiii, que saudaaaaaade!Rio! Vocês todos! eEssa foto linda (com a Sorriso Maracanã, só podia ‘né?)!! Possa, fiquei mesmo emocionada. Nada me teria alegrado mais nesta noitada no laboratório. Aiiiiii… só me apetece dizer Ai (que é o que digo quando o que sinto se sobrepõe ‘as palavras).Acho que foi por vontade de Deus que nasci apaixonada pela Cidade Maravilhosa mas, uma visita polvilhada com todo o vosso bem querer ajudou, tornou essa convicção ainda mais forte. Obrigada Edu. Um beijo transtlântico para ti e para a Dani!

  2. >Até que não desafinou :-)Mas prefiro você escrevendo.

  3. >Caro Edu, vamos combinar que para cantor, você é um ótimo escritor!rsrsrsrDenise

  4. >Denise eu discordo de você! O Edu estava meio alto como ele mesmo disse. Desafinar ele não desafinou rs rs rs rs rs Mas riu demais para uma canção tão melancólica.

  5. >Show confirmadíssimo no “Rock in Rio – Lisboa”: Edu e Mauro com sua mistura de Fado e Samba. Abs,

  6. >Edu essa vai em homenagem aquele seu amigo não lembro o nome dele agora, o que me chama de locutor de futebol.SEN-SA-CIO-NAL a novidade!! Põe sempre um video novo aqui que dá mais graça ainda ao buteco.

  7. >Fala, Edu! Tudo bem, meu caro?Depois de algumas semanas, acessei novamente seu blog – andei lendo outras coisas na internet. Uma delas foi o conteúdo do site da Câmara e do Senado em período de convocação extraordinária. A improdutividade é desanimadora. Tratava-se de uma pesquisa aqui do trabalho.Voltando ao seu blog, fui verificar esta pérola da modernidade informada abaixo. Uma beleza! O fato é que nessa época, essas carioquices (constatantemente expostas em seu blog) me chamam muito a atenção. É o carnaval começando a tomar conta de mim. Bares e restaurantes como Mineiro, Capela, Costa etc. fazem parte da agenda carnavalesca, assim como os blocos.Enfim, sexta-feira que vem desembarcamos aí (eu e a Ju) para os festejos do Momo. Espero encontrá-lo já no dia seguinte, no Bola Preta.Abraços, Augusto

  8. >caríssimo,eu, como profissional da voz, posso dizer sobre minhas tamancas: já achava seu timbre de uma beleza retórica, inflexão dada aos discursos; e agora, cantando fado (apesar do acompanhamento in-de-ci-frá-vel), é realmente espetacular. E nesses tempos superlativos (vou ficando lisonjeada pela incorporação), nada mais apropriado: “se não sabes pra onde vais, por que não páras de correr”. Que bom que vamos nos ver logo logo. Beijos e té já, ju.

  9. >A-D-O-R-E-I!Revelando mais um de seus talentos.Beijo!

  10. >A la Danuza, “sen-sa-ci-o-nal”! rs

  11. >Além do magistral desempenho do gajo, algo que me chamou a atenção foi a incrível semelhança, neste vídeo, entre vossos cupinchas Mauro e Augusto. Parabéns pela incorporação de novas tecnologias.

  12. >Edu,depois de ler seu, ou melhor, agora meu livro… afinal comprei e paguei! sempre visito o buteco, h0oje ri muito vendo seu espetáculo. Cara realmente vc é péssimo cantando, fechou a semana muito bem! valeu pelas garagalhads.. inté

  13. >Edu,bom mesmo é o espanto do cara da mesa do fundo, e o acompanhamento do Mauro. Hehehe!!!

  14. >oi. Andei pesquisando blogues que falassem de Candomblé e encontrei o seu. Sou da Associação Portuguesa de Cultura Afro-Brasileira, espero a sua visita.

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