O PAI DO ILUSTRADOR

Vejam vocês que ontem mesmo, quando escrevi sobre o lançamento do livro, disse em determinado momento “notem o quanto de carinho envolve a coisa”. E é mesmo. Como eu faço questão de sempre postar-me diante do monitor como um cumpridor da precisão do início ao fim, vou lhes contar uma história que envolve carinho, coincidência e uma beleza de enredo.

Antes, porém, uma resposta assim, geral, para os (até então) 22 leitores que tiveram a pachorra de escrever comentários ontem.

Sucesso é um troço mais-que-relativo. E eu não tô atrás dele. Até porque não creio (ou não quero crer) nele. A sensação de ser publicado já é indizível, ainda mais ao lado de craques que me fazem o peixe mais miúdo do aquário. Ter os amigos comigo, nos dias 12 (no RJ) e 17 (em SP) me fará estupidamente feliz. E ponto. Em frente.

Em 1991, tinha eu 22 anos de idade, fui convidado pelo Luiz Vieira pra lançar um livro de poesias que a mamãe – vejam que mãe orgulhosa e tremenda tijucana no gesto! – mostrou ao radialista na Rádio Nacional no final dos anos 80. Daí o Luiz passou a ler as poesias durante seu programa e convenceu um primo, dono de uma gráfica, a editar um livro. E assim foi feito. Dizia ele, “mas olha que menino tão novo escrevendo tão bonito” e por aí. E quem? – eis a pergunta – quem ilustrou a coisa?

Pedro Toledo.

Naquele momento, irmão da minha namorada, um moleque de 17, 18 anos. Desenhava bem – hoje é um estupendo artista – e fez os desenhos, fez a capa etc etc etc

Daí, vida que segue, o namoro terminou, eu casei-me, vacas tentaram destruir meu pasto, separei-me, (re)encontrei a Dani, casei-me com ela e veio o Zé Sergio, lançou a idéia pra Marcia Silveira, que por sua vez comprou o que lhe foi lançado, e quem? – eis a pergunta – quem ilustra o livro que lanço agora em dezembro?

Pedro Toledo.

Notem a beleza da coisa.

O Pepê, como o chamo desde priscas eras (vejam a velhice transbordando pelos vãos do mouse), não é mais um moleque e nem desenha apenas bem. O Pepê é pai de duas meninas e é um artista reconhecido, talentoso, brilhante. Parte de seu trabalho pode ser visto aqui. E contou-me ontem, seu orgulhoso pai, Pepê venceu recentemente um concurso mundial de ilustrações em 3D. Vejam! Vejam! Vejam!

Era o Pepê um imberbe – hoje tem uma barba de Noé, de um viking, de um bárbaro – e eu apontei-lhe o dedo farejando ali o talento inato. A falta de modéstia é, aqui, um exercício, apenas.

Pepê foi contratado pela Editora, fez um trabalho brilhante, vocês verão, e eu fiquei realmente comovido com a percepção da volta que a vida dá.

E por que – tenho certeza de que é o Marcão quem pergunta, um permanente curioso com isso – o título de hoje é “O Pai do Ilustrador”?????

Porque ontem fui beber, no Bar Getúlio, com o Toledo, pai do Pepê.

Pausa brevíssima para contar quem é a mãe do Pepê. É minha mui amada, salve, salve, Glória, hoje morando em Natal, por quem tenho visceral carinho e de quem tenho dito – lendo isso, dona Glória, não me corrija, por favor, eis que a mentira quando é linda deve ser mantida – “tirando mamãe, vovó e Dani, é a mulher que mais me quer bem”.

Bem. O Toledo é um sujeito raríssimo. Bom de papo, bom de copo, um baú de histórias inacreditáveis, praticamente todas impublicáveis (Szegeri, me cobre uma apenas, conto pessoalmente!), e bebíamos ontem no buteco do Catete quando, empolgadíssimo com todo o lance que envolve o livro, que envolve o filho, o Toledo sugere sentar-se comigo, no dia 12, à mesa, pra autografar os livros.

Somente minhas sobrancelhas levantam.

Antes de retrucar, ele emenda:

– Orgulhoso, quero assinar “Toledo, pai do ilustrador”.

Figuraça.

Até.

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4 Comentários

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4 Respostas para “O PAI DO ILUSTRADOR

  1. >Você é foda!O pai do ilustrador.

  2. >O autor da orelha também pode autografar???

  3. >Edu, meu novo amigo.Tomei conhecimento ontem a noite, através da Roberta Valente, da sua gentileza em colocar nossa foto em seu site, bem assim tecer comentários a respeito do meu pai,um dos últimos médicos a examinar o grande Noel de Medeiros Rosa.Estou adorando o livro, já identificado com todos os personagens, em especial com o Osório.Bom Natal junto com todos os seus, são os votos do Clovis com um até breve em qualquer buteco da Tijuca ou da Vila.

  4. >O livro lar Dr. Eduardo,estive no seu livro essa semana e me senti em casa.Maracanã 1354 foi meu primeiro endereço, meu avô e tio discutiam onde começava e onde terminava a tal fronteirada Aldeia Campista.Minha bicicleta até hoje vai sozinha pra Xavier de Brito, onde meus primos bebiam no “Rei do Bacalhau” enquanto planejavam o grande emprego novo da vez.Me mudei pra rua Juparanã 63, casa 6A.Na padaria “Chave do Rio”, acompanhei embates entre flamenguistas sacanas e vascainos comerciantes…Cresci com aquele jeito de ler o mundo…Fui pro largo da segunda-feira, rua Félix da cunha 11, em cima do bar do Marcinho. Mas tenho parado pouco por là.Voltei, quando estive no seu livro. Não na citação de meu nome, que bebemos juntos, e sim no ambiente que foi criado por você e seus amigos, personagens, saideiras, tiradas geniais dessa nossa casa. Seu Botequim e cercanias.Um abraço,mais dois choppes,Juliano Juba

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