ANIMAL PLANET

Vejam vocês que colosso é a internet, que colosso é ter um blog, que colosso é essa interação entre o que escreve – eu, a precisão em pessoa – e os que lêem. Recebi ontem à noite de um cidadão que identificou-se como um leitor assíduo do Buteco esta foto. Foto que, os mais atentos já notaram, mostra o Dedeco sendo espancado com um porrete como se fora uma foca à beira de ser abatida, daí o título Animal Planet, irresistível, até porque o Dedeco é um animal.

O leitor, a quem agradeço de público, foi o autor da fotografia. Escrivão de polícia, estava de plantão numa madrugada quente de 2002 quando adentraram a Delegacia um cidadão e o Dedeco. Vejam bem, vejam bem!

O meu colaborador obviamente, naquela madrugada, e até bem recentemente, não sabia quem era um nem quem era o outro. Mas de tanto ler o Buteco, de tanto bater os olhos nas fotos do Dedeco, deu nele uma luz. Pensou, disse-me ele… “ué… aquela foto que tenho daquele gordo careca sendo espancado na DP não é do Dedeco?”.

E era. Vejam que lindíssima coincidência.

Contou-me o fato.

Policiais militares faziam a ronda noturna de praxe quando passaram de carro pela 28 de Setembro e perceberam estranho movimento numa birosca já quase na Praça Barão de Drummond. Pararam. Saltaram. E deram de cara com dois elementos engalfinhados e uma mulher em prantos no balcão do bar. Eis a situação.

Dedeco, um ser sem luz alguma desde há muito (e notem a pança do Dedeco que não existe mais), entrara na tal birosca pra comprar cigarro.

No balcão bebiam apenas duas pessoas, um casal.

O Dedeco compra o cigarro e se dirige ao homem: “O senhor tem fogo?”, ao que ele disse, “Não”.

A mulher, fumante, disse, “Mas eu tenho…”, e o Dedeco, dando um tapinha de leve no ombro da moça emendou “Eu também, vambora, deixa esse merda aí”.

Pronto.

Bêbado, o Dedeco não soubera avaliar o risco de mais uma investida imunda.

Brigavam quando os policiais passaram.

E aí um deles disse pro outro: “Aê… tá mó noite fraca… vamo levar esses dois elementos pra DP… lá a gente pede pro Delega aquele porrete (e riu, o policial)… a gente ficha o careca por agressão e entrega a piaba na mão do cara aê…”.

O outro, “Já é”.

E assim foi.

Dedeco foi fichado (notem que está diante da fita métrica), fotografado, interrogado, até que apanhou como um condenado.

Detalhezinho que o meu leitor contou-me: de tanto apanhar, o Dedeco ficou bastante desfigurado, e isso mexeu demais com o coração de Valéria Cristina, que considerou Luís Felipe, o namorado, um grosso desalmado. Valéria Cristina esteve na DP dias depois e pediu, gentilmente, para ver o Boletim de Ocorrência.

Tomou nota do telefone do Dedeco.

E deu pra ele durante alguns meses.

Até.

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4 Comentários

Arquivado em ficção

4 Respostas para “ANIMAL PLANET

  1. >aaaah… tá vendo?! rolou um final feliz! :)Beijos, Eugênia.

  2. >E o Dedeco que pensava que suas histórias só fossem vir à tona em sua autobiografia publicada após a morte…

  3. >Foi a melhor de todas as suas crônicas, quase morri de rir. Não conto por nada desse mundo quem foi o cara que tirou a foto.Mais que merecida a surra no biltre. Genial!!!

  4. >O cara passou a régua no Dedeco.

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