>LEO HUGUENIN EM PARATY

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Antes de lhes contar sobre o Leo Huguenin em Paraty, comigo na foto acima, quero acrescentar uns dados ao lance genial do Chico Maracanã tornado público ontem, aqui no Buteco. Aliás, falei no Buteco e é preciso agradecer de volta pela força de todos vocês, fiéis freqüentadores desse canto. Ultrapassamos a marca das 15.000 visitas, somente em agosto foram mais de 2.100 visitas e ontem, apenas ontem, demonstrando a força desse gênio da raça que é o Chico, foram quase 200 visitas. Obrigadíssimo a todos. Vamos em frente.

Quando eu lhes contei que o Chico, dentro do carro virado de cabeça pra baixo dentro do Rio Maracanã, abriu a janela pra escapar, viu o carro se transformar num aquário e desligou o rádio pra não sofrer choques, esqueci de dois detalhes fundamentais. No instante de sua fuga desesperada, como um Namor tijucano, Chico viu sua mochilinha com suas chuteiras – que o Chico é um peladeiro olímpico – escapando pelas marolas do rio e saiu dando vigorosas braçadas em direção à mochila a fim de salvar seus apetrechos, a chuteira, as caneleiras, os meiões. Somente em casa, horas depois, lembrou-se que estava acompanhado no Estephanio´s. E não se lembrava, vejam vocês, se a moça fora deixada em casa antes do acidente ou se fora deixada à deriva no leito do rio. Bateu o telefone pra ela. Que o atendeu. E ele, aliviadíssimo, nada disse, desejando-lhe apenas uma boa noite. Vejam isso. Ele não foi capaz de pensar na moça no instante da morte iminente, mas apenas nas suas chuteiras. Um craque, dentro e fora do campo, como se vê. Mas vamos ao Leo.

Para quem não se lembra, conheci o Leo no Estephanio´s, logo após a conquista do campeonato carioca pelo Fluminense em 2005, em cima do Volta Redonda. Dediquei a ele, um craque naquele domingo, o texto “Vence o Fluminense”, mas dediquei, leiam lá, “a um tricolor anônimo”. Fui saber quem era o Leo algumas semanas depois. Contei sobre o nosso encontro também. E tomei-me de amores pela figura. A Dani, exageradíssima – e tornou-se ainda mais exagerada depois de mim – grita quando nos vê juntos, “O Edu adotou esse menino!”. Vejam bem que há razões capazes de justificar meu amor imediato. O Leo tem um sorriso acachapante, um abraço sincero, uma solidariedade para com os seus impressionante, e, de fato, encontrar o Leo é sempre uma festa.

Estávamos bebendo no centro histórico de Paraty, eu, Dani, Guerreira, Fumaça, Fefê, Brinco, Branco, Chico Maracanã, João. E eis que surge o Leo Huguenin. É preciso dizer que o Leo não foi a Paraty conosco de ônibus. Foi por conta própria. E deu-se o comovido abraço retratado acima (notem a feiúra olímpica do meu sorriso).

Eu costumo dizer que esses carinhos, de amigos de infância, costumam nascer de pequenos gestos. E de fato foi um pequeno gesto que me fez gostar de cara do Leo, como se lê no texto a ele dedicado, ainda sem que eu soubesse seu nome. Fizemos festa e foi o Leo em busca de diversão, ficando, nós, na mesma mesa, no mesmo bar, horas a fio.

No dia seguinte, ainda em Paraty, fomos, eu, Dani, Guerreira e Fumaça para um bar que nos chamou a atenção chamado “Che Bar”. Aliás, que bar. Breve conto sobre ele. Estávamos na terceira rodada de mojitos quando entre o Leo. Com o mesmo sorriso, o mesmo par de braços abertos, e demos de novo aquele abraço de amigos de infância, e a Dani guinchando pra assistência, “O Edu adotou esse menino!”. Disse o Leo: “Estava passando, vi você e vim apenas lhe dar um abraço”. Notem a franqueza e a beleza da frase. E eu, retribuindo o carinho, disse aos gritos, “Sente aí, Leo, convido você pra um mojito conosco…”, e ele, de voleio, “Não dá, Edu, tem um pessoal aí fora me esperando, e tenho ainda que comprar cigarros.”.

É preciso dizer que entre meus maiores defeitos, que são muitos e incontáveis, está o da usura com os bastonetes nicotinosos. Basta alguém me pedir um cigarro e eu grito um “não” de fazer tremer a terra (licença, Wanderley Monteiro). Há exceções, que depois se transformam em tragédia. Vou explicar. Quando o Augusto fez aniversário e deu uma bela festa em Niterói, precavido, levei 3 maços. Estava eu, naquele dia, fragilíssimo e mexido com o acidente do Toledo, na véspera. E não fui capaz de dizer um único “não” naquela tarde.

E em questão de uma hora e meia não havia um único cigarro comigo, tamanha a fome dos fumantes de bosta que me pediam um após o outro. Mais uma hora e deu-se a transformação. Passei a dirigir impropérios impúblicáveis aos camaradas que me pediram cigarros. Xinguei-os, arremessei contra eles amendoim e copos cheios de cerveja. Até que fui contido pela Dani, que foi ao buteco mais próximo, 20 minutos a pé, comprar mais um maço pra mim.

Mas voltando ao “Che Bar”. Quando o Leo disse “… e tenho ainda que comprar cigarros”, puxei meu maço do bolso e apenas dois cigarros moravam lá dentro. Entreguei-lhe os dois e a Dani urrou, “Estão vendo? O Edu adotou esse menino!”.

Ali, não sei se o Leo percebeu, entreguei a ele meu carinho em forma cilíndrica, de bastão, com nicotina, alcatrão e filtro na ponta. Não pensem besteira, seus biltres. Somos amigos de infância e espadas de carteira assinada.

Até.

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4 Comentários

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4 Respostas para “>LEO HUGUENIN EM PARATY

  1. >Eu também não suporto fumante que não sustenta o próprio vício. Só abro exceção pro meu irmão, que é duro de dar dó 🙂

  2. >”…e a Dani urrou, “Estão vendo? O Edu adotou esse menino!”Juro que eu ouvi, lendo, o Comandante naquele seu típico e único jeito de estrebuchar uma frase, bem conhecido por muitos leitores deste prestigioso diário.

  3. >Pois vejam só. Ainda vão comer gente (nos Esteites) por intermédio desse blog.

  4. >Êpa, meu comentário acima perdeu o sentido depois que deletaram os dois comentários em inglês!!!

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