ZÉ SÉRGIO GOLFANDO EM NITERÓI

Tive o prazer, ontem, de almoçar na companhia da Guerreira e do Zé Sérgio, em Niterói. O prazer adveio, muito mais, da companhia da Guerreira do que da companhia do Zé Sérgio que, já lhes contei isso, não vale rigorosamente nada. Parou de fumar, o Zé, vocês hão de se lembrar. Pois durante o almoço ele fumou, disse eu a certa altura, uns 15 cigarros, ao que ele me interrompeu, “não estou fumando, Edu, agora eu sopro cigarros”, e nessa frase reside a distorção que cada fala sua esconde. E a companhia da Guerreira serviu, como se não bastasse o prazer puro que me proporcionou sua presença, para que ela pudesse testemunhar a veracidade do que vou lhes contar agora. Será ela, a Guerreira, tenho certeza, uma vez inquirida pelos curiosos a respeito da verdade do que vou dizer, a primeira a subir no banquinho imaginário e gritar, “O Edu foi preciso do início ao fim”. Vamos em frente.

Estávamos já de pé, depois de termos comido uma generosa porção de carne assada com batatas coradas acompanhada de algumas tulipas de chope – horroroso, por sinal – diante do balcão, pagando a conta, quando entra no buteco um personagem recorrente nesses ambientes: uma louca. Sozinha. Uma mulher, talvez com uns 50 anos, muitíssimo mal vestida, nitidamente uma solitária, e ela bate no balcão e diz, “Gente, gente!, liguem a TV… Brasília está sendo invadida… acabei de falar com minha filha pelo celular e ela me disse que a coisa tá pegando fogo no Planalto…”. O dono do bar, prontamente, tomou o controle remoto nas mãos e sintonizou na GloboNews. E passava uma matéria sobre a Faixa de Gaza. A mulher, dando um chilique, continuou, “Mas não é possível que esteja havendo censura! Minha filha me disse que a passeata está varrendo a Asa Norte, a Asa Sul, tudo pacífico, mas uma multidão barulhenta que vou te contar…”.

Com o troco que recebemos, pedimos mais dois chopes e eu disse pro Zé, “Porra, que saco… Que mulher chata…”, e tive uma idéia. Uma idéia, aliás, da qual me valho com freqüência, qualquer dia desses lhes conto mais episódios similares.

A tal senhora, como uma galinha com fome, andava em círculos diante de nós, querendo puxar conversa e recebendo desprezo à dorê em retribuição.

Peguei o celular no bolso. E forjei a ligação, falando aos berros:

“Alô? (…) E aí, como é que tá? (…) – fazendo cara de intensa preocupação – O quê? Você tá em Brasília? (…) Tiroteio? (…)”.

Interrompo rapidamente o relato de minhas falas pra dizer que nesse momento a Guerreira estava andando de gatinha pelo bar, tentando esconder o riso que lhe escapava fácil, e o Zé, copinho de chope na mão, lançando um jato contínuo da bebida sobre uma das mesas, gargalhando e fingindo ouvir uma piada contada pela Guerreira, pra não estragar meu número, dizendo apenas, “Muito boa essa, Guerreira…”.

Pelo espelho diante de mim, eu podia ver a mulher com os olhos esbugalhadíssimos, quase que pra fora do globo, com o celular na mão.

E eu continuei: “Rapaz… faz isso não… Tente se proteger dentro de algum edifício… Sei lá… (…) O quê? Quantos feridos? (…) Subindo a rampa do Palácio?”.

E a louca falava ao telefone.

Dirigiu-se ao dono do bar: “Acabei de falar com a minha filha… Tem tiro porra nenhuma…”. Deu um socão no balcão e saiu.

Missão cumprida, pedimos mais chope e o dono, gratíssimo, nem cobrou essa rodada.

Até.

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11 Respostas para “ZÉ SÉRGIO GOLFANDO EM NITERÓI

  1. >Zé, se o seu negócio é soprar e não fumar, por quê você não tenta bolhinhas de sabão?Edu, “desprezo à doré” foi ótimo!Beijos!

  2. >prezado edu concordo com a Betinha que deprezo à dorê foi muito bom, como foi muito bom ontem comparar o dedeco torcendo as coisas a uma lavadeira de rio! grandes imagens, edu!

  3. >Também adorei a imagem da lavadeira! Perfeita e super original, surpreendente!

  4. >Betinha e Aloysio, se a gente ficar aqui procurando as imagens perfeitas e originais dentro Buteco a gente vai achar muita coisa boa. Por isso é que eu digo sempre que esse danado desse Edu PINTA em vez de escrever.

  5. >O Edu foi preciso do início ao fim… A cena do jato de chope foi o auge da piada e do encontro.Betinha, amei as bolinhas de sabão. Ainda bem que é hora do almoço, ri do início ao fim.Beijos,Guerreira

  6. >Faço questão de complementar só uma coisa. Como disse a Lu Guerreira (Edu, explica esse apelido aí!) o Edu foi preciso do início ao fim. Mas ele é brilhante do início ao fim. O Buteco é um deleite só. Parabéns, amigo.

  7. >Excelente e diversão garantida. Mas se o dono do buteco me permite uma sugestão, conte mais sobre o Dedeco, o mais divertido de todos. E “soprar cigarro” eu nunca tinha ouvido.

  8. >Duvido da sua precisão milimétrica ao relatar o fato apenas em um ponto, Edu. O Zé Sérgio não me parece o tipo que fica, às gargalhadas, atirando perdigotos pelas mesas dos bares (e respingando nos outros). Além disso, quem não vale nada é o Dedeco, não o Zé Sérgio.

  9. >Flavinho,Não foram simples perdigotos, foi um jato enorme de chopp. Estou gargalhando de novo só de me lembrar da cena, Beijo

  10. >Estão vendo? Lu Guerreira, vc não está rindo de novo por lembrar. Você está rindo de novo porque está “olhando” o “quadro” que esse cara pinta! Eu que não conheço nenhum de vocês também não aguento de tanto rir!

  11. >Em primeiro lugar, gostaria de explicar que soprar cigarro é o mesmo que fumar sem tragar. Só para ter o gostinho e continuar tentando parar. Em segundo, devo dizer que foi pura verdade que, ao ouvir o louco do EG simulando um telefonema para Brasília, eu e Lu Guerreira estávamos mesmo segurando para não rir, pois isso estragaria a cena com a maluca. E realmente, quando ouvi o pulha perguntar ingenuamente: “Como? Tiroteio?”, não aguentei e botei para fora meia tulipa, respingando na toalha da mesa e, perdão!, na roupa da Lu. Não foi perdigoto. Foi uma tsunami de cevada mesmo!

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