>ABSTINÊNCIA TABÁGICA

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(pra José Sérgio Rocha)

Por mais que eu recuse o nome blog para o Buteco, que prefiro chamar de revista eletrônica, um blog – que no fundo é o que o Buteco é – vive muito em função da interação entre quem escreve e quem lê e comenta. Feito o intróito, vamos aos fatos.

Não, eu não parei de fumar de novo. O título nada tem a ver com isso. E vou explicar.

Tem a ver com o seguinte: leiam vocês os comentários ao texto de ontem, “Vidal, um gentil”. Após lê-los, ficará claro, ao menos, o por quê da bandeira do Estado de Sergipe ilustrando o dia de hoje. E eu esclarecerei, agora, o por quê do título.

Vejam vocês que o Zé Sérgio teceu seis dos doze comentários. E saibam vocês que, há semanas, bateu-me o telefone, o Zé, para dizer como uma criança, “parei de fumar!”. No que eu emendei de voleio, “não se anime, já, já, você volta”. Parece confuso tudo isso, mas vou tentar ser mais claro.

Dos seis comentários do Zé, três se referem ao Estado de Sergipe. Daí a bandeira. Agora, convenhamos, somente a abstinência tabágica, somente a confusão mental que sofre meu amigo de Niterói em razão da ausência de nicotina e tabaco nas veias, pode explicar os tais comentários sobre Sergipe. Eu estava a falar sobre o Vidal. Sobre a gentileza do Vidal. Sobre a doçura que é o Vidal. Sobre a amizade canina que me une ao Vidal. E o Zé tasca, no texto, três comentários sobre Sergipe, sendo necessário dizer que eu não conheço Sergipe, o Vidal não conhece Sergipe, o que faz da menção do Zé um troço non sense ao extremo.

Pequena pausa para uma explicação sobre o Zé. Já lhes contei, aqui, que quando o conheci fomos de uma intimidade de amigos de infância. E lhes contei, também, que foi a Dani quem me chamou a atenção pra uma coincidência cifrada comovente: O SZEGERI e ZE SERGIO têm as mesmas letras, embaralhadas, atestando a legitimidade do sentimento mútuo que nutrimos, de cara, um pelo outro.

E é em nome desse sentimento que interrompo a semana dedicada ao Vidal. Dói, sobremaneira, assistir à derrocada de um amigo. É preciso que, de público, eu me valha de instrumentos capazes de enxovalhar a atitude do Zé para lhe dizer, “volte a fumar, companheiro!”. A falta do cigarro está lhe tirando o norte, isso é evidente. O norte, o sul, o leste e o oeste, eu diria mais. O Nordeste, não. O Nordeste está lá, cravado dentro dele. Vejam que ele mesmo escreveu, “Edu, você conhece a letra do hino de Sergipe? Nem eu, que nasci lá por acaso, a conhecia. Peguei ontem num site qualquer e a transcreverei em seguida, não sei por que motivo.”.

Esse trecho, “não sei por que motivo”, evidencia o estado lamentável pelo qual passa o bom Zé. Não a conheço, mas tenho peninha da Dora (lê-se Dôra), sua companheira. Por quais experiências, meu Deus, deve estar passando Dorinha? Se o Zé dá-se ao trabalho de acessar o Buteco, clicar com o mouse no espaço dos comentários, fazer seu login, escrever uma mensagem descabida dessas, o que estará fazendo durante as outras horas do dia? Confesso-lhes que desde o momento em que me deparei com a letra – horrorosa, por sinal – do hino de Sergipe transcrita na íntegra no dia de ontem, sou um homem em estado agudo de piedade.

Depois, reparem nos comentários que se seguem à letra do hino, o Zé fica rindo, e fica rindo valendo-se desses subterfúgios que a internet criou: “ha ha ha” e depois “quaquaqua”. É triste. É muito triste.

Eu, que já parei de fumar algumas tantas vezes, sei, lamentavelmente sei, do que somos capazes quando assacados pela abstinência do tabaco. Para não deixar de falar do Vidal, e para valer-me desse lance do Vidal, que vou contar apenas para dar um conselho ao bom Zé, vamos a um momento de 1999.

Estava sem fumar há uns 20 dias. Daí mandei um email para o Vidal com a letra do hino do Amazonas, e eu também não soube por que razão fiz aquilo. Bateu-me o telefone o Vidal, sabedor de meu sofrimento naqueles dias de abstinência, e marcamos um chope no Bar do Pavão. Quando chegou, a Lenda abraçou-me como um tamanduá, pediu dois chopes e arremessou à minha frente um maço de Carlton e um isqueiro Bic, vermelho. Disse apenas, “Fuma, porra, que isso passa!”.

Hoje, Zé, estaremos eu, Dani, Guerreira, Augusto, Betinha, Flavinho, Fefê, Dedeco e mais alguns abnegados no Estephanio´s para assistirmos Flamengo e Palmeiras, às 20h30min.

Vá lá, malandro. Quero repetir o gesto do Vidal para lhe ver, de novo, são, na medida do possível. E quero que cantes pra mim o hino de Sergipe, a fim de saber se a melodia, ao menos a melodia, vale a pena conhecer. A letra é de um horror indescritível.

Até.

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10 Comentários

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10 Respostas para “>ABSTINÊNCIA TABÁGICA

  1. >Tem toda razão, Edu. Só pode ser síndrome da abstinência. Eu mal consegui trabalhar ontem. E enquanto não vinha a inspiração para mais uma frasezinha de merda que fosse, eu ficava zapeando sítios e blogues. Ia do Globo Online ao Observatório, do blog da Marinilda ao Buteco, do Conexão ao Só Dói (nestes dois parece que ninguém trabalha, falta um chicote), do Comunique-se ao Coleguinhas, e pá, e pá, e pá, e nada. Mas vou conseguir parar com essa merda de cigarro, nem que tenha que decorar letra e música dos hinos de Sergipe, do Piauí etc. Por enquanto, que nem Bill Clinton, não estou mais tragando, a não ser quando bebo cerveja em lugar que tem samba. Abraços a todos na varanda e bom jogo, mas Flamengo x Palmeiras nem fu…mando! :>)

  2. >As cinco estrelas da bandeira de Sergipe eram, no passado, cinco âncoras, cada qual representando uma das bacias hidrográficas existentes no estado. Fiz copiar-colar de um texto sobre a bandeira de Sergipe e não posso deixar de me surpreender com esse fato: aquele pinguinho de estado tem CINCO bacias hidropônicas! Chega de Sergipe!

  3. >Du , meu filho , que tipo de conselho……….me admiro muito !!! como é que voce pode aconselhar a um amigo seu , que voce diz gostar muito , a continuar a fumar…….lembre-se que seu pai , parou de fumar a custa de 4 ” pistoladas ” e lá se vão 15 anos ” invicto… “

  4. >Parabéns Isaac pelos seus 15 anos invicto, espero que eles se multipliquem por muitos mais!Realmente, Edu, este teu conselho foi de amargar!Zé, não desista, afinal vc é brasileiro e como tal, não desiste nunca! É melhor um amigo “louco” do que “morto”! Pense nas cervas que vc está deixando de consumir ao gastar com cigarros. Pense, também, naquela propaganda atrás do maço que diz: “fumar pode causar impotência sexual”!

  5. >Seu Isaac e Anonymous (será o Augusto ou o Benedito?), obrigado pela força! Acho que a síndrome de abstinência do Edu dura até hoje, senão ele não diria o que disse. Idem o Toledo. Edu, hoje não posso ir na varanda, mas amanhã vocês todos estão convidados para um samba aqui pertinho de minha casa, onde o Augusto poderia conduzi-los antes da roda começar. O local da roda é o bar do Wander Sete Cordas, pé-sujíssimo de Itaipu, e o convidado da noite é o nosso querido imperiano Zé Luiz. Cartas para a porcaria desse jornal!!!

  6. >Também já tentei parar de fumar umas 500 vezes sem sucesso e sempre passando pela abstinência tabágica (esse nome existe mesmo?). Zé Sérgio, faço côro com o Edu: VOLTA!

  7. >Roberto Romualdo, com este nome que mais parece de locutor de futebol (“…e com vocês as emoções do Fla-Flu na voz do IN-COM-PA-RÁ-VEL Roberto Romualdo… entra a vinheta), é o seguinte: nunca, nunca mesmo, em 53 anos de vida e em 37 anos de fumante, ousei parar. Nunca quis pagar mico como você e o Edu pagaram. Fracos, fracos, fracos! Hei de vencer na primeira vez que resolvo seriamente tirar o cigarro da minha vida. Não estou sentindo falta dele, a não ser quando tem samba e cerveja por perto. Aí eu sopro, não trago. Edu, me diga uma coisa sobre o Vidal (cuja saga não fica nada a dever às do Batista e do Dedeco), por que cargas d´água você quis ressaltar o fato de ele ser gentio, ou seja, ele é goy. E daí? Só porque ele não é sergipano e nem é judeu, vale chamar a atenção para esses detalhes?

  8. >Zé, vou me eximir de tecer maiores comentários sobre seus torpes comentários, típicos de quem sofre desse mal, que é a abstinência tabágica. Fiquei aí, soprando cigarro (eufemismo pobre para justificar suas tragadas ollímpicas quando bebe), e falando besteira sozinho.E papai… que beleza sua estréia por aqui. Mantenha-se falando coisas. Já, já, dedicarei uma semana inteira a você, personagem vivo.Roberto Romualdo, não se chateie com as falas do bom Zé. Mas que você tem nome de locutor, isso tem!

  9. >Adorei o comentário do Zé de que a síndrome de abstinência do Eduardo dura até hoje! :-)Cada um decide se fuma ou não, acho um saco essas pessoas ditas saudáveis que ficam enchendo o saco de todo mundo com listas de certo e errado. Mas que esta porra de cigarro é uma praga, isso é! Só faz com que as pessoas joguem fora dinheiro e saúde. E de volta só dá câncer, pigarro, mau hálito, impotência, embolia, etc, etc, etc.Boa sorte, Zé!Beijos!

  10. >confesso que resisti o máximo que pude. na verdade, estava morrendo de ciúmes desde que soube que zé-do-ovo atravessou a poça e se atreveu a não me ligar avisando. pior: pra ir a um bar perto da minha terra natal! imperdoável! (se ninguém entender, ele pelo menos, escorpiano como eu, com certeza, estará gargalhando…). pois bem. depois do primeiro e-mail reportando à página, fiquei íntima do edu. não que ele me conheça, claro (imagine se o zé teria essa delicadeza com uma amiga de 20 anos… cretino!). mas, como boa jornalista, virei bisbilhoteira habitual. fã do edu eu já tinha virado (o texto desse cara é genial!) mas, agora, decidi mudar de posto: sou fundadora do fã-clube do edu. zé sérgio parou de fumar?! como assim?! o que virá em seguida? “cerveja nunca mais”? “jamais fui brizolista!”? gente, estou preocupada! proponho aqui uma cruzada e espero adesões: está criado o movimento “vamos salvar o zé!!!”. no que depender de mim, amiga das mais antigas (embora abandonada), farei o impossível para restaurar a (parca)sanidade dessa criatura confusa porém adorável.p.s.: aguardo sugestões para a primeira passeata…

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