>VIDAL, UM MOTE PARA RECORDAÇÕES

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Bati ontem o telefone pro Vidal, a Lenda, alcunha carimbada pelo Szegeri, meu Otto absoluto, para combinarmos nosso encontro de sábado, amanhã, quando a Confraria S.E.M.P.R.E. (Sociedade Edificante Multicultural dos Prazeres e Rituais Etílicos) comemora 3 anos de vida. O Vidal, pra quem ainda não o conhece, deu origem, vamos dizer assim, à saga que mantém o Buteco de pé, nessa crônica (cliquem com o botão direito do mouse e abram o texto em nova janela) que eu chamo de gênese. E é dessa crônica, através dela e a partir dela, que brotam os personagens que desfilam diante de vocês no monitor: seu Osório, Bule, Fefê, Márcio Branco, Flavinho, Betinha etc etc etc

Conheço o Vidal há uns 20 anos, um pouco mais. Colega de colégio, tornou-se meu irmão, meu dentista, um de meus personagens favoritos. Vou explicar, num lance, o por quê do apelido “A Lenda”. Odontólogo, o Vidal, dono de olhos verdes mais bonitos que os azuis do Márcio Branco, dispensa a anestesia quando vai tratar o canal de suas pacientes. Eu mesmo já vi. As moças ficam ali, diante dele, na cadeira horizontal, com os olhos fixados nas duas poças cor de esmeralda, babando horrores (daí seu gasto astronômico com os sugadores descartáveis), tendo os canais perfurados pelas agulhas manejadas por ele, sem dor alguma, absortas que ficam diante daquela beleza toda. Vamos em frente.

Falei do Vidal e por isso lembrei-me de dois episódios que quero dividir com vocês. O Vidal namorava, a certa altura, uma moça cujo nome, por razões óbvias, omitirei. Pausa rápida para dizer que o Vidal, hoje, está casadíssimo com a Gláucia, morando num portentoso apartamento na Tijuca. A moça, vamos ver se eu consigo ser delicado, era de uma burrice olímpica, daquelas que fazem da Magda, a personagem do “Sai de baixo” parecer uma Tarsila do Amaral. Uma anta bípede, um troço constrangedor pro meu amigo que, logo após apresentá-la, dizia “desculpas antecipadas pelo que vem por aí”, porque o que vinha de barbaridade não caberia em 100 crônicas.

Mas vamos aos dois lances, os dois no mesmo dia, na mesma ocasião. Éramos ainda bem jovens, e estávamos reunidos na casa de alguém, cujo nome não lembro, jogando “Master”, um jogo antiqüíssimo. Umas dez pessoas participavam do jogo (o Fefê estava conosco e poderá testemunhar a veracidade de tudo).

A namorada do Vidal saca de um cartão do bolinho à frente – não me peçam pra explicar as regras do jogo – e pergunta a alguém: “Quem assumiu o poder em Cuba após a derrocada de Fulgencio Batista?”.

O alvo da pergunta não sabia. Incrível, mas não sabia, o que fazia da namorada do meu amigo o par perfeito, em matéria de ignorância, pro alvo da pergunta. Aí a namoradinha da Lenda diz sorrindo (e vou escrever da forma que ela falou, lendo a resposta em seu cartão): “Faidel Castro”. O Vidal pôs-se a chorar, a assistência dava soquinhos no chão de tanto rir e prosseguiu o jogo.

À certa altura, coube a mim fazer a pergunta pra ela.

“O que é que sobe como um foguete e desce como um avião?”

A resposta certa seria “a nave espacial Columbia”.

A menina revirava os olhinhos e dizia ruborizada, “ai, ai, eu sei… posso falar, gente?”, e a patuléia em côro antevendo a tragédia batia palminhas dizendo “pode, pode, pode!”. E o Vidal com o rosto entre as mãos prevendo a hecatombe.

Eis a cena.

Ela faz um “ai…” bem lânguido, suspira, apóia a mão direita no joelho esquerdo do constrangido Vidal, e ainda repete, “ai, gente, tô com vergonha… posso falar?”, e a alcatéia em delírio urra “claro, claro, desembucha!”. A mãozinha fica em círculos na rótula esquerda do Vidal, e vermelha, o rostinho em brasa, os olhos cravados dentro dos olhos verdes do meu amigo, ela solta… “O pênis!”.

Vejam vocês que o jogo terminou ali, diante da incapacidade dos jogadores de prosseguirem respirando e falando, já que a sala tranformou-se num riso coletivo, que tornou-se mais forte quando a burralda ainda perguntou, “Errei?”. Quando percebeu, só depois de 10 minutos, que tinha errado, (vejam que gênia!) ainda disse, “Pô, desculpa, mô”.

Pobre Vidal.

Até.

13 Comentários

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13 Respostas para “>VIDAL, UM MOTE PARA RECORDAÇÕES

  1. >Pára tudo! Tô passando mal de tanto que tô rindo! Você não conseguiu ser delicado! ahuhahuahu!

  2. >edu, se o fidel souber que foi chamado de “faidel” pela ex-namorada do teu amigo, ela vai pro paredão!!!!!!!!

  3. >Pelo menos a gente fica sabendo que não é só o Dedeco que é uma coisa TUDO DE BOM rs rs rs Afinal de contas, se o Vidal tem a potência da Columbia a atual mulher dele é sortuda rs rs rs Mas o Dedeco não é só Columbia. O Dedeco é a NASA inteira rs rs rs

  4. >Querida, cuidado que a NASA tem a Challenger, que mal decolou e já explodiu; e a Discovery, que tá há um bom tempo tentando decolar e … nada…

  5. >Nasa, Challenger, Discovery… é de rolar de rir

  6. >Edu, suspende a autorização de postagem anônima, pô! Assim a gente fica sem saber se esses ANONYMUS aí em cima são espadas disfarçadas, moças que fazem delivery pro Dedeco ou moçoilos que ainda não sairam do armário!

  7. >A pergunta que não quer calar.. afinal o telefonema foi para decidir aonde será a comemoração e rolou esta hilária lembrança! Então, em qual buteco será a memorável comemoração de 3 anos do S.E.M.P.R.E?

  8. >No Bar do Mineiro, em Santa Teresa.

  9. >Fábio, não saí do armário até hoje mas por você eu saio. Vou te mandar um e-mail para marcarmos um encontro e eu deixarei de ser anônimo rapidinho. Mas só para você, gostosão…

  10. >Olhem bem, é mais-que-conhecido meu repúdio pelos que se valem do anonimato. Mas não vou impedir esse troço. Quem quiser se valer desse subterfúgio sujo, que o faça. Quanto ao local do Encontro, o “Dudu” em questão, obviamente não sou eu. Como não é, também, o Bar do Mineiro, o palco da efeméride.

  11. >Tenho sérias desconfianças de que o senhor Eduardo Goldenberg, com o evidente objetivo de aumentar a freqüência de visitas a esta revista blogal, se faz passar por anônimo de vez em quando, a fim de ganhar pontos no tal de Site Meter (eu, hein?).

  12. >Zé, safado, pessoalmente lhe respondo, já que não pegaria bem a publicidade dos termos que dirigirei a sua pessoa que, nunca é demais repetir, não vale rigorosamente n-a-d-a.

  13. >Faço coro com o Zé Sergio, muito suspeita essa sequência de anônimos nos comentários…

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