>O DEDECO EM PETRÓPOLIS

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O Dedeco bateu o telefone pra mim na tarde de ontem. Como o BINA o denunciou, já atendi com as gentilezas de praxe, impublicáveis. E ele foi uma sonora gargalhada depois do “Faaaaaaaaala, Edu…”, que está para o André Menezes como o “bem, amigos” para o Galvão Bueno e o “alô, você!” pro Fernando Vanucci.

Disse-me, tossindo, que o André tosse com um vigor tísico, que estava em Petrópolis, de novo. E que gostaria de contar-me um “interessante detalhe”.

André Menezes está trabalhando, há uma semana, na Casa do Barão de Mauá, na cidade serrana, hoje sede do Executivo Municipal.

E como eu conheço a Casa do Barão de Mauá, a da foto, quando despedi-me do Dedeco meu imaginário foi uma delícia visual impressionante. Eu via o Dedeco, de terno, gravata, casacão, espetando a verde grama dos jardins com a vigorosa ponta de seu gigantesco guarda-chuva, passeando próximo à grade que separa a portentosa construção em estilo neoclássico, acenando pras moças na calçada. Via o Dedeco, tragando seu cigarrinho que lhe amarela o dedo indicador, com uma das mãos postadas no gradil da sacada, tramando planos sórdidos que seguramente estão por trás de sua recente elegância.

Tentei arrancar, durante o breve telefonema, alguma pista que me indicasse seu objetivo, já que apenas um incauto crê que, de um dia para o outro, o André aposentou a surrada calça jeans e a camisa preta de malha, e a fétida sandália de dedo, por um terno, uma gravata, um casacão, um guarda-chuva e sapatos italianos apenas em busca de pose e de porte.

E esbarrei, também na tarde de ontem, com um Celsinho sorridente no Buraco do Lume, no Centro da cidade. Contou-me que acompanha, atento, as mal traçadas linhas do Buteco. E disse-me que é, o Buteco, o principal responsável pela guinada na vida do André. Tendo estudado com o André na faculdade, Celsinho contou-me que o André levava vida pacata quando mais moço. Gordo, já careca, “não pegava ninguém”, foi essa sua expressão. Vinte quilos mais magro, dono de farta cabeleira (jamais se esqueçam que o Dedeco, quando emagreceu, deixou de ser gordo e deixou também de ser careca, provando que sua calvície era apenas o apêndice de sua obesidade), Dedeco hoje é “um pegador”, a expressão é dele de novo. E segundo o Celsinho, o novo guarda-roupas do Dedeco indica que ele tem, como recente alvo, moças de um extrato social ligeiramente mais elevado. E contou-me interessante episódio.

Ano passado, a Duda resolveu fazer um churrasquinho em sua casa, em Teresópolis. Preciso lhes explicar o que significa um “churrasquinho em Teresópolis”, na casa da Duda.

As pessoas são convidadas, por email. Duda fecha sua lista de convidados e anuncia que fará umas comprinhas, que serão devidamente rateadas por todos.

E no dia do churrasquinho, quando todos os convidados saltitavam nos jardins da casa, uma Duda eriçada sai de dentro de casa com uma resma nas mãos e sai distribuindo aos convidados a cópia da nota das “comprinhas”, que inclui mantimentos capazes de manter uma família por 30 dias. Acuados, os convidados vão depositando, um a um, o dinheiro e os cheques na cestinha de palha que pende do braço da Duda. Neste dia, contou-me o Celsinho, Dedeco fumava seu cigarrinho apoiado numa estátua ao lado da piscina de água natural. E percebeu uma moça desolada com o achaque. Aproximou-se. E apresentou-se. Era, ficou sabendo nos primeiros cinco minutos de conversa, uma amiga de infância da Duda, moradora de Petrópolis, de uma das mais abastadas famílias da serra fluminense, parente em linha reta do Barão de Mauá.

Solteira, feia como o cão, Valéria encantou-se com a gentileza do Dedeco, que recolheu seu cheque da cestinha de palha que pendia do bracinho da Duda, pagando, o Dedeco, as despesas dos dois. E Valéria foi um “oh” e um “ah” de fazer sorrir a estátua na qual André ainda se apoiava.

Valéria, que mora na propriedade que faz fronteira com os jardins do Palácio em Petrópolis – a Casa do Barão de Mauá, seu trisavô – tem tido surtos de umidade ao ver o André com aquela pose de fundador do Banco do Brasil, girando sua pemba – o guarda-chuva – no gramado da mansão.

Um golpe neoclássico, como se vê.

Voltando, o Dedeco, o inquirirei de forma torpe no Estephanio´s, com o auxílio – que peço daqui, de público – do Flavinho e de sua pistola, a fim de novidades.

Até.

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5 Comentários

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5 Respostas para “>O DEDECO EM PETRÓPOLIS

  1. >Surtos de umidade… bolão!

  2. >Surtos de umidade é mesmo muito bom! Dá-lhe Edu! A cada dia que passa, mais afiado! Já espalhei esse texto frisando a genialidade de figura criada: SURTOS DE UMIDADE! Ah! Ah! Ah!

  3. >É lamentável até onde vai um ser humano em sua compulsão insana de satisfazer seus instintos animais mais básicos.Este indivíduo, que um dia pude chamar de amigo, e que hoje mal conheço, perdeu sua envergadura moral de tal forma, que foi como se o seu caráter e humanidade estivessem armazenados na gordura que queimou, restando apenas uma carcaça fria, despida de alma, respondendo apenas aos apelos basais de sua natureza, como se infectado por um T-Virus mixado com Viagra.

  4. >Saudações nesse espaço democrático de análise do enxovalhado moral, para mais um amigo desiludido com a trajetória vil desse decaído que é o André. Pois é Felipão, depois de tantos anos de retidão e compaixão para com seus semelhantes o André resolveu se tornar este pulha. Tudo em troca da promessa de luxúria infindável, fornecida pelas formas voluptuosas das carentes moças tijucanas. Acompanhe os detalhes desse triste caso (bem narrado pelo Edu) e se surpreenda como nós.

  5. >Discordo de você em um ponto, Flávio: o Dedeco nunca teve tanta compaixão pelo próximo (melhor dizendo, “próxima”), do que tem tido nos últmos tempos. Afinal de contas, ele tem feito a alegria dos renegados e abandonados pela sorte desde o berço…

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