TUDO CERTO

Para a grande maioria das pessoas uma viagem é sinônimo de festa. O arrumar das malas, o farfalhar dos bilhetes aéreos, a checagem dos guias turísticos, os planos estratégicos em terras estrangeiras, a ida ao aeroporto, tudo é uma festa. É assim com a Dani, por exemplo, que está arrumando as malas há uma semana, beijando os bilhetes aéreos, folheando o “The Rouch Guide”, traçando planos com o Fefê, com o Cristiano, com o Mauro, com a Guerreira, com a Fumaça (que viajam todos conosco), combinando com papai a carona pro Galeão.

Eu, numa tremenda mudez, assisto a tudo sem qualquer reação que não um suadouro que não cessa, uma tremedeira que não cede, um pânico que me paralisa. Vai daí que convoquei alguns amigos pro Estephanio´s hoje, chopinho de despedida, o que soa para um turista olímpico como o Vidal, a Lenda, como uma pida (para o Vidal, 12 dias no exterior é algo que se assemelha a um final de semana em São Pedro da Aldeia).

Serão 13 horas a bordo de um KLM. Sem fumar. Num desconforto acintoso (não compreendo não ter havido, há anos, uma revolução dos passageiros que gastam fortunas para uma vaga numa poltrona mais apertada que a dos ônibus municipais). Rumo à Amsterdam. Depois Milão. Depois voltinhas pela Itália, fechando o tour em Roma, de onde partimos de volta (o melhor momento da viagem, já sei disso).

A Betinha, que recebeu-me no domingo em sua casa (dividida com o Flavinho, nosso Xerife), mostrou-me o álbum de sua última viagem pela Europa tentando me animar. E eu guinchava de chorar diante das fotografias que ficaram empapadas por minhas lágrimas torrenciais.

Pausa para lhes contar o que foi o domingo no suntuoso apartamento do Flamengo, para onde mudou-se o bom Flavinho depois de anos de Cachambi: queijo brie, roquefort, gouda, ciabattas, garrafas de Logan, vinhos australianos, cervejas importadas e uma begônia reluzente sobre a mesa, que o Flavinho deu uma begônia pra Betinha pelo Dia dos Namorados (é preciso dizer que quando morava no Cachambi, Flavinho não conhecia nada além de uma samambaia chorona num xaxim em matéria de plantas e flores). Num momento inspirado, diante daquele portentoso lanche, cantei… “No tempo que o Flávio morava lá no Cachambi (no tempo!), no tempo que o Flávio morava lá no Cachambi…”, pedindo licença ao Nei Lopes.

Bem, amigos, como diria o Galvão Bueno, parto amanhã às 20h. Deixarei aqui, no Buteco, uma lista com as crônicas mais lidas, mais comentadas, mais elogiadas, mais festejadas pela assistência. Peço as orações da Dona Sá, as mandingas do Dalton, a pajelança do Szegeri, as preces de vovó e de mamãe, as danças caboclas de papai.

Alguns eventos tornam a viagem ainda mais torturante. Não estarei em solo brasileiro na passagem do primeiro aniversário da morte do Brizola, no dia 21 de junho. Nem no aniversário do Dalton, no dia 20 de junho. Nem no aniversário do meu irmão Szegeri e da minha afilhada, sua filha, Iara, ambos no dia 24 de junho. Nem no aniversário do Flavinho, no dia 25 de junho. Meu carinho antecipado a eles. É isso. Tá tudo certo, em termos burocráticos. E tudo errado comigo. Mas vejamos o que vai ser. Na volta, lhes prometo relatos de Homero, como diz meu Otto na íntegra.

Até.

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6 Comentários

Arquivado em confissões

6 Respostas para “TUDO CERTO

  1. Sei que para você não faz diferença 23 ou 25, pois de qualquer forma você ainda não estará de volta. Mas o dia do aniversário do Flávio é 25 de junho, tá? 🙂 Beijos e uma ótima viagem para você. Não deixe de levar um livro de bolso para amenizar a tortura que serão 13 horas em um avião!

  2. >Agora que você consertou o texto, meu primeiro comentário ficou de um non sense total… :-)Beijos!

  3. Agora que você consertou o texto, meu primeiro comentário ficou de um non sense total… 🙂 Beijos!

  4. Querida, além do non sense… a Sra. está gaga! Que beleza! Vou atribuir isso a uma gigantesca solidariedade com minha tensão!

  5. Vai meu irmão, pega esse avião, você tem razão de correr assim…

  6. Meu amigo fóbico, qualquer palavra é inútil nesse momento, vi seu desconforto na última reunião da confraria e me solidarizo. Não esqueça do seu conselho, é preciso ter talento para ser feliz. Curta sua viagem, sua garota, a Itália e Amsterdã. Vai ser bom para você.

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