O BRANCO ENGOLIU UM VIENATONE!

Vejam vocês. O título da crônica de hoje – já o li e o reli dezenas de vezes – é capaz de me fazer relinchar de rir até perder o ar. Imagino que será assim com vocês. Mas o título não é capaz, obviamente, de lhes dar a dimensão da comédia que foi esse gesto do bom Branco. Vou explicar.

Fomos, eu e Dani, no sábado, novamente ao Clube Renascença. E lá, conosco, o Dedeco e o Branco (mais tarde chegaram Mariana Blanc, Marquinho Presidente e o Basile. Ah, e o Moacyr Luz também, que convenceu-me – e ali eu fui um justo julgador a reconhecer meu erro, corrigido aqui – a retirar a, digamos, acusação que lhe fiz num momento, reconheço, infeliz).

Percebam nossa companhia à mesa: Dedeco e Branco. Uma dupla, como se tem visto, aqui e aqui, de derrubar Maracanãs lotados de mulheres ensandecidas.

Pequena pausa para uma notícia impactante: Dedeco e Branco mobilizam tanto as mulheres, que Guerreira e Fumaça, desde a semana passada passeando pela Europa, já mandaram centenas de mensagens para o celular de ambos, com notas importantíssimas como “Estamos indo para Granada”, “Perdemos o trem”, “Está um calor danado aqui”, e por aí se vê como as duas estão aproveitando a viagem. Gastaram rios de dinheiro para ficarem mandando torpedos, de além mar, para os dois. Um troço.

E eis que, num dos intervalos do samba, Branco me disse: “Edu… tenho ficado impressionado com a repercussão do Buteco… Seus relatos são precisos, sua memória é colossal, mas queria lhe contar uma coisa…”.

Peguei de um bloquinho imaginário e preparei-me para tomar as notas. Ajeitei-me na cadeira enquanto o Branco anunciava que iria buscar mais duas garrafas de cerveja. Clima de excitação total. E volta o Branco com aqueles olhos e aquela beleza acachapante. Prossegue ele:

“Sabe, Edu… lembra que você contou, dia desses, sobre as ceguinhas de Laranjeiras?”

E eu, “Claro, claro, continue…!”.

“Aquilo me fez lembrar a Dulce.”

Silêncio aterrador somente quebrado por uma gargalhada do Dedeco de fazer tremer o Andaraí.

Eu, batendo os pés no chão, “Que Dulce?, que Dulce?”.

“Uma surda-muda que eu namorei por cinco meses.”

O Dedeco rolava pelo chão de cimento, sujo, do Renascença, latindo de rir. E eu com as mãos cravadas no braço do Branco, “Prossiga, prossiga, Branco!”.

“Eu estava andando pela Rua das Laranjeiras, ali pertinho da Escola de Surdos, sabe?, quando parei diante de uma morena de parar o trânsito. Não percebi, juro!, que, tendo ela saído de dentro da Escola, seria uma surda-muda. Sei lá, pensei que seria uma professora… um troço babaca de preconceito, sabe?, nunca imaginei que fosse possível uma surda-muda tão gostosa. E atribuí aquela mudez diante de meu “boa tarde” à minha beleza, como você mesmo diz, acachapante.”.

O Dedeco estava chorando no chão, de quatro, e ria, ria, ria e estendia o copo pedindo cerveja.

“Pô… aí, Edu… eu, que tinha bebido uns oito, nove chopes no Serafim, agarrei aquela menina, beijei-lhe o pescoço – sem resistência alguma – e quando lhe beijei no ouvido, forte, lambidão mesmo, sabe?, engoli um troço com gosto de cêra e de pilha, bateria, não reconheci bem…”.

Agora, eu, Dani e Dedeco, os três ríamos tanto, dando soquinhos no chão, que a assistência do Clube formava uma roda em volta de nós. E prosseguiu o Branco:

“Era o Vienatone da moça. Mudaça. Surdaça. Mas deliciosa. Daí começamos a namorar… Mas era estranho, sabe? Ela deu-me de presente um Teletrim, e nossas conversas eram basicamente pelo Teletrim… Eu gastava uma fortuna de Teletrim por mês… E a Dulce era de um furor uterino de deixar qualquer homem à beira da fadiga…”.

Eu não estava acreditando naquilo, quero dizer isso a vocês. Mas o Branco não mente. Um homem com seu caráter, capaz de gritar “eu sou amigo do Lennon” diante de uma multidão de vaias, não mente. E a Dani, que as mulheres são curiosíssimas, perguntou entre um guincho e outro, “Por que vocês terminaram, Branco?”.

“Ah, sabe… como vou explicar… faltava papo, sabe? Não me acostumei a namorar pelo Teletrim, e a fúria e a volúpia da Dulce me puseram em situações absurdas… Um dia estávamos indo pra Niterói, eu e Dulce no banco de trás, Dedeco dirigindo e uma amiga dele na carona, quando a Dulce abaixou minha bermuda e engoliu-me ali mesmo… Pô… eu tava vendo o Dedeco olhando pelo retrovisor, fiz sinal pra Dulce parar e ela, pô… vê se pode?… sem tirar a boca de mim, disse babando… “ôda-se… ôda-se… ôda-se…”… deprimente, Edu… não rolou mais…”.

Bem, fica evidente que o Branco e o Dedeco têm histórias pra contar, não?

Até.

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4 Comentários

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4 Respostas para “O BRANCO ENGOLIU UM VIENATONE!

  1. >Pô, como que a Dulce gritava “ôda-se”???? Ela não era muda, caraca????

  2. >Que muda (nem muda nem sai de cima) que nada, Szegeri. Tá na cara que a Dulce era fanha. Aliás, falando nisso, o Estephanio´s é um ponto de tarados: ceguinhas, mudinhas, fanhas. O que vier, o pessoal traça!

  3. >Queridos, como a maioria das mudas, a muda não era 100% muda, porra! Grunhia uns troços ininteligíveis, conforme depoimento do Branco. Daí o “ôda-se” arrastado…

  4. >Sendo muda e estando com a boca, digamos, ocupada, até que a Dulcíssima moça mandou bem…

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