>E 2005 CHEGOU…

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Doces figuras, o BUTECO tem sido permanente corolário de minhas aventuras pessoais, das aventuras dos amigos, e não será diferente em 2005.

É bem verdade que não era exatamente esse o objetivo quando o inaugurei, mas as histórias que presencio são tão reais e ao mesmo tempo tão recheadas dos ingredientes da ficção, que acabam sendo perfeitas para cá.

O reveillón de 2004, figuras, foi épico. Olímpico. Quase que inacreditável.

Inicio o relato, que não será breve por razões evidentes que ficarão claras ao longo do lexto, dando nome aos bois presentes (sem trocadilho para que vocês não pensem em bois e vacas): eu, Dani, Maria Paula (a dona da casa), Dr. Bulhões (o pai da anfitriã), Guerreira, sua irmã Kaká e sua mãe Raquel, Marcy, Betinha e Flavinho, Fefê e Brinco, Cachorro e Cris, Vidal, a Lenda, e Gláucia, Zé Colméia e Vinagre, Sérgio e Cícero, Alex, Lelê Peitos, Alê, Manguaça, Pierre, Duda, Beth, Dedeco, Marquinho – reparem a essa altura o peso da mesma escumalha que esteve na Festa Unibanco 30 Horas promovida pela Maria Paula ano passado -, Mariana Blanc, Manguaço, Marcelo, Fumaça, Giulia, e muito mais gente, já que a festa, no pico, contou com 100 bárbaros quicando sobre o reluzente mármore do Edifício Chopin.

Eu não escrevi errado, figuras. Edifício Chopin mesmo, aquele chique, altíssimo nível, na Avenida Atlântica, ao lado do Copacabana Palace, fazendo da Maria Paula uma espécie de mágica fenomenal que, subvertendo a ordem podre das socialites e dos ricos deslumbrados que cagam goma naquele terreno, permitiu à escumalha o milagre da divisão de renda e de mordomias no primeiro dia do ano.

Relatar a festa, minuto a minuto, seria cansativo. Vamos aos melhores momentos de cada personagem.

PULGA: autêntica representante da escumalha, do mais raso clero social, a Pulga quica como uma infante alucinada. Ao som da música, havia quatro caixas de som de potência alucinante, Pulga bicou como o lateral esquerdo Roberto Carlos o tubo de oxigênio do Dr. Bulhões, que, sentado placidamente, acompanhava a turba em sua própria casa, mais acostumada aos jantares tranqüilos e a convidados finamente educados. Quando percebeu o estrago, aproximou-se do coitado, alérgico à fumaça, com uma guimba acesa no canto da boca gritando, “desculpa aê, porra, foi mal”. Dr. Bulhões foi salvo de pior sorte pela Dani, que resgatou o enfermeiro que se embriagava na cozinha.

MANGUAÇA: outra que não deve nada à pulga em matéria de origem. Bebeu de forma industrial, golfou no banheiro uma meia dúzia de vezes, e foi posta pela Dani e pela Vinagre dentro do closet para que lá dormisse em paz. Quando acordou, uma três horas depois, dizia atônita… “puta que pariu, paguei 120 paus pra dormir… que merda”. Frase típica de uma pobre de carteira assinada. Para recuperar o que chamou de tempo perdido, passou a fazer bolinha entre as mãos com os canapés que restavam sobre a mesa para comer mais no menor tempo possível. Tsc.

ALÊ e LELÊ PEITOS: a dupla merece um tópico. Quem apostava em mais uma noite de porre agudo da Lelê, perdeu. Lelê comportou-se como uma dama, bebeu com classe e não caiu uma só vez. Mas eis a cena à meia-noite: estávamos eu, Dani, Manguaço, Marcelo, Alê e Lelê na areia assistindo aos fogos. Alê se agacaha. E vomita competindo com os fogos em barulho e em quantidade. Lelê com as mãos na cintura e batendo palminha… “É isso aí, amiga… vomita 2004, urrú! Vomita! Vomita o ano, pô!” Eu dei pequeno conselho a Alê, mas é impublicável.

FUMAÇA: essa inovou. Por uma razão rigorosamente inexplicável, ameaçou vomitar e foi levada ao banheiro. E nada. Relutou, empurrou as mãos amigas que a amparavam, e saiu do banheiro alucinada. Seus olhos corriam os salões do enorme apartamento em busca de algo que não sabíamos o que era. Até que avistou o Dedeco. Saiu correndo, ajoelhou-se a seus pés, agarrou os joelhos do Dedeco crispando-lhe as unhas nas panturrilhas e tome jato quente nos pés do coitado que vestia sandálias. Uma belezura.

BRINCO: essa odiou o DJ da festa. Num determinado momento dirigiu-se ao sujeito atrás das carrapetas. Saquem o tom gentil da abordagem: “Aê, teu som tá uma merda. Muda. Ou sai daí.” O cara, coitado, com aquele talento que esses caras têm para lidar com bêbados, sorriu. “Tá rindo de quê, otário? Sai daí! Tu tá recebendo pra trabalhar e tem que agradar a clientela”. O camarada foi salvo pela Betinha, outra surpreendentemente sóbria graças ao que o Zé Colméia chamou de “efeito Flavinho”, que arrancou a Brinco de perto do som. Pequeno detalhe: o DJ era convidado da dona da festa e estava trabalhando por amor. Sem receber um único centavo.

GUERREIRA: teve comportamento exemplar enquanto sua mãe esteve lá. Bebia segurando a taça de Prosecco pelo pé, mantinha um guardanapo na base do copo, comia comedidamente, sorria para os que chegavam, não galopou uma única vez. Isso até sua mãe sair, por volta das 2h da manhã. Aí ficou como de praxe. Galopava pela casa, bebia no gargalo, vomitava nos intervalos. Foi embora rebocando a Marcy, que dormia no corredor embaixo da uma das estantes de livros, e o Alex, que ocupava a cama da cozinheira. Desceram os três para pegar um táxi por volta das 6h. Entrou com a Marcy no táxi e esqueceu o Alex dormindo num dos bancos da praia, no colo da estátua do Drummond. Hoje é dia 3 de janeiro. Não se tem notícias do cara até o momento.

KAKÁ: em franca expansão na carreira, Kaká, trabalhando para a revista CARAS, cobriu duas outras festas no mesmo Edifício Chopin. E chegou em nossa festa às 3h. Deu pena vê-la. Chorava copiosamente lamentando o estado de seus amigos. Era o choque, doces figuras, da diferença. Foi embora em menos de 15 minutos em estado lamentável, olhos vermelhos, jurando nunca mais freqüentar ambientes como aquele.

Por ora, é do que me lembro.

Valham-se do espaço para comentários e deixem suas contribuições.

O que viram, o que testemunharam, o que souberam.

Volto ao tema em brevíssimo.

Até.

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