DE NOVO, E PELA ÚLTIMA VEZ, ELA

Doces figuras, como o Buteco se propõe a tratar de gente, eu havia prometido a mim mesmo nunca mais citar a figura desprezível da Ana Cristina Reis, que, sabe-se lá como, conseguiu a editoria do Caderno Ela, igualmente desprezível, e talvez aí resida a grande sacada dos diretores do Jornal O Globo.

Mas como aqui mesmo no Buteco escrevi breve texto sobre um de seus artigos no qual Ana Cristina Reis menospreza os trabalhadores sem-terra, se diz, ridiculamente, uma sem-vinho, sem-piscina e sem-sandália-italiana-de-strass, não resisti a reproduzir para vocês trechos do artigo publicado hoje no mesmo caderno.

Percebam, leitores, como Ana Cristina Reis cai em contradição (quando fala dos vinhos), como Ana Cristina Reis é fútil (passou duas noites em Buenos Aires assistindo “Celebridade”) e como Ana Cristina Reis é odiosamente preconceituosa (quando compara os pedintes argentinos e brasileiros).

É, prometo de novo, agora publicamente, a última vez que lanço luzes sobre essa alma soturna e escura. Eis os trechos:

“No último sábado, estava de cachecol e cashemere, céu azul sobre a cabeça, vinho à mesa, folhas de outono à volta, sentada num café na Recoleta vendo o tempo e os portenhos passarem. É, eu não tenho ódio dos argentinos. Mas por pouco não mudo de idéia na última hora.”

Ela não era uma sem-vinho? E vai beber logo na Recoleta, o mais caro e mais pernóstico bairro de Buenos Aires? Tsc.

Mais:

“Pedinte por pedinte, prefiro os de Buenos Aires no inverno: usam gorro, luvas e casaco.”.

Mostra-se, de novo, preconceituosa, odiosamente preconceituosa. Tsc.

Segue Ana Cristina Reis:

“Compreendo nossa rixa com os portenhos num ponto: eles não são mesmo simpáticos.”.

É incrível. Estive em Buenos Aires com a Dani, o Zé, a Gi e a Guerreira no ano passado.

Impressionou-nos a extrema simpatia dos argentinos, a receptividade, o sentimento da unidade da América Latina, ainda mais que lá estivemos logo depois da eleição do Lula, que eles enxergavam, como eu, como uma guinada em direção ao favorecimento das camadas mais pobres, e às vésperas da eleição na Argentina, quando o povo era claro ao manifestar seu desejo de mudança nos rumos de sua política econômica.

Como Ana Cristina Reis odeia pobre, talvez isso explique a razão de sua impressão torta.

A antipática, para dizer o mínimo, é ela. Tsc.

Mais:

“Todas essas profundas considerações, faço-as agora, sóbria. Porque lá, curtindo o friozinho e a companhia de minha irmã, a única preocupação era saber qual seria o vinho da próxima refeição.”.

Como bebe a “sem-vinho”… Tsc.

Seguindo:

“Por duas vezes, ficamos no quarto vendo “Celebridade”. Em boa companhia: vinho, queijos e frios.”.

Programaço, o de Ana Cristina Reis. Mil vezes tsc.

Bem, doces figuras, eu não resisti – e é a última vez, quero repetir – a mostrar a vocês quem é essa Ana Cristina Reis, editora, a que ponto chegou o jornalismo (salco exceções que se contam numa mão, ainda existe?) brasileiro.

Ah, em determinado do artigo que intitulou “Ah, o amor”, Ana Cristina Reis diz que, apesar da antipatia dos portenhos, ela não temeu ser cuspida na cara por um deles por força de uma lei que proíbe o argentino de cuspir na rua.

Cuspo eu, daqui, então.

Até.

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