>E O BUTECO ABRIU DE NOVO (e recado para dois leitores)

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Doces figuras, não havia previsão para abrir esta semana. Betinha, como contei em 24 de maio, foi a última a vir ao Buteco do Edu, na sexta-feira da semana passada. Ocorre que ontem, também sexta-feira, quando cheguei do trabalho, por volta das 20h, encontrei Dani, Pierre e Arthur sentados à mesa com uma Original à frente. Foi, na mesma medida, uma surpresa e um presente.

Primeiro porque são raríssimas as vezes em que chego em casa depois da Dani, que trabalha, é preciso dizer, muito mais que eu. E encontrá-la, com aquele sorriso-maracanã em minha direção, é quase fatal.

Arthur e Pierre trabalham com ela. O primeiro é um belo praça, caladão, na dele, mas quando pega do violão vira um pequeno monstro. Tirando os profissionais, eu nunca vi alguém, por exemplo, tocar Guinga com tamanha maestria. E tem uma namorada, a quem ainda não conheço, que, é ele quem conta, o transforma num aprendiz quando manda Guinga & Aldir, tocando a cantando. Ou seja, para brevíssimo estou tratando de convidá-los para uma noitada no buteco que promete.

O segundo, Pierre já é conhecidíssimo, depois que publiquei emocionado relato de meu afogamento, quando ele salvou-me a vida. O texto chama-se FERIADO DE PÁSCOA.

Mais que conhecido, é saudado pelos que me querem bem (são poucos, eu sei, mas são fiéis) como um verdadeiro herói, embora ele, muito modesta e humildemente, recuse o título alegando exagero de minha parte (Szegeri, querido, exijo seu comentário sobre o fato, você que nadava a naufragava a meu lado, a fim de que não restem dúvidas sobre o mérito do cara).

Impossível não lembrar do dia em que vovó, depois de ter lido o relato da quase-tragédia, conheceu Pierre pessoalmente, lá no Estephanio´s. Olhos marejados, as mãos trêmulas, tomou das mãos do malandro e as beijava agradecendo pela salvação de seu neto mais velho. Pierre, que estava ligeiramente alcoolizado, não respeitou a brancura dos cabelos de vovó e mandou na lata: “Mentira dele, eu não o salvei porra nenhuma”. E dessa vez foi vovó que foi salva pela Dani, que tratou de consertar o estrago causado pelo simples “porra” solto assim tão de perto.

Também é um belo praça. Melhor: mais que um praça, o cara é uma cidadela. Dono de uma integridade visível pros que têm olhos de ver, é tomado de uma ira santa toda vez que presencia uma injustiça e isso é, convenhamos, você que me conhece, a minha cara. Mais uma bela aquisição que a vida me deu. E é teimoso como uma paca, outra característica eduardiana.

Ontem mesmo, pouco depois do Arthur ter partido, quando ficamos só os três derrubando Originais noite adentro, Pierre tornou a falar do assunto eximindo-se de qualquer mérito no episódio. Calibradíssimo, subi na cadeira e fiz comovente discurso exaltando as três pessoas pelas quais nutro gratidão eterna (pela ordem dos gestos): Mauro Rebelo, Mariana Blanc e ele próprio, Pierre.

Fui pouco gentil quando o fiz jurar nunca mais desconstruir minha versão dos fatos, mas acho que o convenci. Tanto que, salvo engano, o percebi também ligeiramente emocionado com a fúria, a voracidade e a veracidade de meu pronunciamento feito de improviso.

Um grande sujeito, sem sombra de dúvida (Szegeri, exijo seu comentário de novo: alguma vez você soube de uma bola-fora minha nessas avaliações pessoais? Obrigado, querido. É lindo vê-lo como colaborador espontâneo da OPINIÃO).

E já que falamos em buteco, mais precisamento no Buteco do Edu, tentei resistir mas não segurei a onda.

Quero responder a dois leitores que se manifestaram no espaço destinado à voz dos mesmos, dando palpites sobre MEU buteco. Vamos lá. O primeiro:

“Edu, não há chance nenhuma de um simples mortal ir ao buteco? Porque você não cria um sorteio para os que querem visitá-lo? Gostaria muito de poder conhecer pelo menos o canapé comentado, seria uma forma de premiar os fãs do gênero e seus leitores. Fica a sugestão. Roberto Romualdo – enviado em 25/5/2004 07:30:00”

Que bom, Roberto Romualdo, que a sugestão fica. Mas que fique com você já que dela não farei uso. Que fique bastante claro: não há nenhuma chance de você vir a meu buteco. Simples mortais, e eu sou um deles, estão sempre por aqui. Mas não creio que esse adjetivo se aplique a você, sinceramente. Se você quer conhecer “muito” o Canapé do Léo sugiro que você vá a São Paulo e, no Bar Léo, prove do mesmo. Não chega aos pés do que é servido aqui, mas vai dar pro gasto. Pra finalizar: não tenho a menor intenção de transformar essa revista numa espécie de programa de auditório para premiar quem quer que seja. Um grande abraço. Se você é mesmo fã do gênero e meu leitor, compreenda meu estilo e não fique magoado.

O segundo:

“Afinal de contas (e de uma vez por todas): o botequim é na sua casa, certo, Eduardo? Por que você não pensa seriamente na proposta do Roberto Romualdo? Seria uma forma de podermos trocar, você não acha? E você poderia conhecer mais de perto os leitores e leitoras de seu blog. Adriano Santos – enviado em 27/5/2004 15:12:00”

Adriano, você está certo e, ao contrário da grande maioria dos brasileiros, fato comprovado por inúmeras pesquisas, tem capacidade para interpretar textos. O buteco é na minha casa. Quanto a pensar seriamente na proposta do Roberto Romualdo, francamente, lendo minha resposta a ele você será capaz, usando desse seu talento, de entender que não pretendo minimamente pensar, que dirá seriamente, em sua (dele) proposta pífia. E não, eu não acho que trazê-los ao meu buteco seja uma forma de “podermos trocar”. Trocar o quê, cara pálida? Não entendi e de verdade não quero entender, por favor, nem se dê ao trabalho de explicar. Pra finalizar, eu não tenho um blog, tenho uma revista. E os leitores a quem eu quero conhecer, obrigado pela sugestão, eu acabo conhecendo. Obrigado, querido.

Até.

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