>MAIS SOBRE O BUTECO E OUTRAS NOTAS

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Doces figuras, o Buteco do Edu abriu na sexta-feira passada, com garbo, pra receber, mais uma vez, a Betinha.

Mesmo com conjuntivite, Betinha jogou bonito.

Eu, ela e Dani entramos em campo às 21h.

Cervejas Original abriram a partida, e amendoim, azeitonas calabresa e finíssimas fatias de presunto parma escoltaram as louras. Abrimos, logo depois, uma garrafa de espumante, servida com fatias de pão aquecidas no forno com queijo de cabra fresco, temperado com pimenta do reino e ervas. Os gemidos de prazer foram ouvidos na vizinhança e o interfone não parou, com gente querendo saber se poderia participar da orgia enogastronômica. Todos foram barrados. As oportunidades para conhecer o buteco, confesso, são raras, escassas e perdê-las pode ser fatal.

A Fumaça, por exemplo: estava escalada para a partida da sexta-feira passada, mas um imprevisto a impediu de comparecer. Perdeu, devo confessar publicamente, uma oportunidade ímpar de degustar o que há de melhor em matéria de serviço. E como os convites são raros, escassos, e atendem a um rodízio estabelecido pelo dono do buteco, sabe-se lá quando a moçoila irá voltar a ser escalada.

Voltando ao menu. Após as torradas com queijo de cabra e o espumante, o chef fez chegar à mesa um “risotto alla zaferano”, um autêntico risoto de açafrão, devidamente escoltado por uma garrafa de vinho tinto nacional da melhor qualidade. Mais gemidos, e a partida estendeu-se até às 3h da manhã, quando Dani, depois de isolar o quarto de hóspedes para evitar a propagação da conjuntivite, acomodou a Betinha.

Buteco completo é isso. O cliente come, bebe, regala-se e ainda dorme no mesmo ambiente, sem se preocupar com táxi, direção e com a volta pra casa. Dito isso, faço questão de mensurar a proporção que vem tomando o buteco.

Ontem, no Estephanio´s, quando Celsinho apareceu depois de longa ausência, estavam Vidal, a Lenda, Flavinho, Dalton, Dedeco. Flavinho, com justificado orgulho, contava para os demais presentes, sem conseguir esconder a baba que lhe escorria do canto da boca enquanto discursava, baba de apetite aberto, imagino, as qualidades do buteco.

Os adjetivos empregados para o Canapé do Léo: inigualável, insuperável, aparência estética impecável, e outras verdades, devo confessar, que geravam na platéia insuspeitada inveja.

Celsinho pediu a palavra e de copo em riste gritou: “Corroboro tudo!”. Uma mentira, já que o malandro ainda não esteve no buteco. Mas isso dá uma dimensão exata da cobiça pelo convite.

Dedeco e Marquinho são os próximos da lista. Pra fechar a nota do dia ainda sob o mesmo tema: um sujeito comparece com a mulher num buteco que freqüento. Senta-se à mesa e eu do balcão, bebendo com o dono, observo. Chama o garçom e pede duas doses de Fogosa, uma cachaça de Salinas, MG. Brinda com a mulher e dá o primeiro gole. Dirige-se ensandecido ao balcão com os dois copos e diz ao dono: “Francamente. Isso não é cachaça. Está aguada.”. Senti o clima do otário.

O dono, muito solícito, entrega a ele a carta de cachaças da casa e pede ao freguês, literalmente, que escolha outra. Ele aponta pra Rochinha e pede duas doses, voltando cheio de pose pra mesa.

Tasca um beijo na mulher e o garçom lhe serve duas doses da mesma cachaça, a Fogosa. Eu, de cotovelo no balcão, acompanhando a performance do canastrão. Leva o copo ao nariz. Sorri pra mulher, que o imita. Dá o primeiro gole. Levanta, súbito, e volta ao dono do bar. Estende-lhe a mão e diz: “Agora sim, companheiro. Isso é uma verdadeira cachaça!”.

Até.

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