UMA MANIA ISUPORTÁVEL

Doces figuras, quero hoje falar sobre algo que muito me tem incomodado, relativo ao que chamam modos.

Como ontem à noite fiz um jantar para, juntamente com a Dani, receber Betinha, Guerreira e Maria Paula (os nomes estão em ordem alfabética para evitar crises histéricas de ciúme), lembrei-me do tema que há muito me atormenta.

Quando recebeu o convite por e-mail, uma delas perguntou-me:

– É pra levar alguma coisa?

E eu respondi de volta, numa folha-seca:

– Quando nós convidamos aqui pra casa, dos convidados só exijimos que tragam a fome.

Dirão alguns de vocês que fui grosso, cuja pecha rejeito. E explico.

Há em voga uma mania. Uma insuportável mania. O sujeito arrota pra meia-dúzia de amigos que vai oferecer um jantar. Telefona ou manda um e-mail fazendo o convite, que deixa de ser convite quando o cara-de-pau avisa que é preciso levar uma “bebidinha”, um “vinhozinho”, um “biscoitinho com pastinha”, tudo no diminutivo pra disfarçar a maiúscula falta de educação que esse convite fajuto denota.

Tudo bem que não é uma grosseria típica de um Marquinho de Oswaldo Cruz.

Mas é uma senhora grosseria.

Há, ainda, variações sobre o mesmo tema, que, ainda assim, não atingem os píncaros da incivilidade do Marcos.

Você é convidado pra jantar na casa de um amigo. Você mal acredita que nada lhe foi pedido. E após o repasto, nem bem está sendo servido o cafezinho, o anti-anfitrião anuncia em voz alta:

– Deu trinta e cinco por cabeça.

É de matar.

Até.

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