>O BRASIL AGORA É MEU!!!!!

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>MULHER NA PRESIDÊNCIA? É SAPIÊNCIA!

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>DIA 31, VOTE 13!

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ABRINDO A ALMA E O CORAÇÃO

E eis que chegamos ao último dia útil da campanha para o segundo turno das eleições para Presidente da República. Em menos de 48h estarão votando milhões de brasileiros, decidindo o destino do Brasil pelos próximos 4 anos. Foi, quero lhes dizer, como já disse hoje mais cedo meu irmão querido, Bruno Ribeiro, a mais difícil campanha da qual participei. Em 1989 não foi mole, mas o espaço que tínhamos para ocupar com o exercício da militância era infinitamente mais reduzido. Hoje, com a grande rede ao alcance de todos, nós, militantes da esquerda brasileira, pudemos expôr a cara na janela e defender, com unhas, dentes, coração e alma, a candidatura que abraçamos, a de Dilma Rousseff. Quero, então, lhes dizer meia-dúzia de palavras sobre essas últimas semanas. Antes, porém, um novo intróito.

Tenho, já lhes disse isso diversas vezes, muitos afilhados e afilhadas – que me dão a chance de vivenciar a paternidade que não me foi permitida exercer de forma plena. Uma delas, Ana Clara, nasceu no dia 16 de dezembro de 2002, pouco depois da primeira eleição de Lula. Dia desses, durante uma visita à pequena, ela abriu uma das gavetas da cômoda que fica em seu quarto e me exibiu, com um sorriso de matar de tão bonito no rosto, toda orgulhosa, uma carta que entreguei a seus pais, ainda na maternidade, minutos depois de sua chegada ao mundo e a ela endereçada. Vejam vocês o teste cardíaco. Disse-me ela:

- Você me escreveu essa carta no dia em que eu nasci. Posso ler pra você?

E leu.

Leu, meus poucos mas fiéis leitores, e ela deu de chorar durante a leitura e eu guinchava de tanto que também chorava. Em resumo, eu festejava sua chegada à vida e dizia a ela sobre a recente eleição do operário que haveria de mudar a história do Brasil. Pra piorar meu estado, entre soluços ela dizia:

- Muita gente saiu da miséria, né, dindo? Hoje tem mais gente pobre estudando, né, dindo?

E ficamos ali, abraçados, até que prometi levar a baixinha comigo, no domingo, pra apertar a tecla verde do “confirma”.

Enfrentamos, todos nós, ao longo dessa campanha, um massacre no que diz respeito à afronta à verdade. Mentiras, jogo sujo, golpes baixos, uma imprensa abjeta a serviço dos que lutam contra o bem do povo brasileiro, e isso exigiu de todos nós um esforço hercúleo. Falo por mim: fiz o que estava a meu alcance e, ouso dizer, fui mais além. Fiz deste humílimo blog uma trincheira a serviço da campanha de Dilma Rousseff. Guardo, com orgulho, alguns e-mails, alguns telefonemas que recebi, algumas manifestações explícitas dando conta de que ajudei a firmar o convencimento de alguns eleitores, e esse foi mesmo o papel que nos coube, semear e espalhar por aí o voto na nossa candidata.

Quem bem me conhece sabe a batalha que enfrento intramuros – particular, íntima, privada – e que somada à batalha que enfrentamos todos ao longo desse tempo me deixa à beira do esgotamento às vésperas do domingo. Nada disso, entretanto, é capaz de arrefecer esse desejo magnífico que é o desejo de um Brasil melhor, permanente, ao alcance de nossas mãos. Desejo que é fruto desse amor difícil de explicar, o amor pela Pátria.

Homenageio, da forma mais simples, a todos aqueles que estiveram (e que estão!) na mesmíssima fileira que eu. Citar um por um é impossível, evidentemente. Mas não posso me privar de agradecer publicamente aos que mais de perto viveram comigo esses dias tensos e agitados, essas noites mal-dormidas. Vou tentar pela ordem alfabética para não ferir suscetibilidades!

Aldir Blanc, amigo querido, com quem troquei – vá saber! – centenas de telefonemas, dezenas por dia, conselheiro certeiro de toda vida, e que me deu a honra de disparar, para toda a rede, sua declaração de voto, aqui.

Bruno Ribeiro, jornalista maiúsculo de Campinas, que bem sabe, como eu, como é verdadeira a frase que dia desses ouvi (ou li) por aí: Essa eleição é uma catarse coletiva. É a sociedade moralista no divã, confessando suas fantasias mais perversas”. Como ele, perdi amigos por conta não da divergência do voto mas pela aguda divergência de postura. E não me arrependo de ter rompido laços com gente que de gente não tem nada – e eu não sabia.

Dani, minha companheira amada, a mulher que me ensinou a sorrir e que é, sobretudo, hoje mais que nunca, a expressão da superação diuturna que me dá sustento à vida. Indo à Volta Redonda para exercer o direito do voto, comove-me sobremaneira e a ela dedico, daqui, minha mais profunda emoção.

Eduardo Carvalho, amigo novo. Cabra dos bons. E torno pública sua aventura de domingo para que saibam todos o quanto é bonito o que nos move. Comprou, há muitos meses, um pacote de viagem para o nordeste justo nesse final de semana. Embarca amanhã, o Edu. E no domingo, às sete da matina, estarei no aeroporto Tom Jobim para buscá-lo e levá-lo, a jato, pra Copacabana, onde vota. E de lá, de volta, pouquíssimas horas depois, para o aeroporto. Um grande gesto de um grande brasileiro.

Flavinha Calé, presidente da União Estadual dos Estudantes- UEE/RJ – que viveu comigo a emoção do último ato da campanha no Rio de Janeiro, incansável militante que engrandece o PCdoB, ao qual é filiada, tijucana como eu.

José de Abreu, com quem mantive contato por conta da campanha graças a coincidências incríveis, e que foi – como sempre – um militante gigante, responsável por grandes momentos na grande rede, quando convocava milhares de internautas e blogueiros para ouvi-lo ao vivo, na câmera, injentando ânimo em quem insistia no pessimismo.

Leo Boechat, meu compadre, que foi capaz de agüentar incontáveis convocações às pressas para um desabafo diante de um balcão qualquer, no Centro ou na Tijuca, conselheiro de escol, sujeito por quem tenho incomensurável carinho.

Rodrigo, de São Paulo, outro com quem troquei infindáveis telefonemas, um grande companheiro que jamais me sonegou as informações mais quentes, as notícias mais frescas e uma permanente fonte de conhecimento no que diz respeito ao jogo eleitoral e partidário.

E pra fechar… Sonia Zampronha, uma grande amiga, uma espécie de mãe-postiça, outra que jamais me faltou nas horas mais difíceis. Através dela, uma militante incansável do PT desde São Bernardo, onde morou, cheia de moral com o Presidente Lula, homenageio a todos os que entraram de cabeça na campanha. A Sonia lutou como o diabo pra dominar a internet, entrou no twitter – aqui – e viciou no troço. Cancelou viagem e outros bichos pra não perder as rédeas dos movimentos que cercaram a campanha eleitoral. Deu-me, já disse isso outras tantas vezes, dois grandes presentes: seus filhos André e Marcela, dois mais-que-queridos que também jamais me negaram o ombro quando precisei.

E encerro, por hoje, deixando com vocês essa gravação imortal da imortal Elis Regina cantando O Bêbado e a Equilibrista, de Aldir Blanc e João Bosco, este também um parceiraço que me concedeu uma belíssima entrevista em 2007, aqui. E quero fazer a última confissão e a última homenagem do dia. Dá-se, comigo, um troço curiosíssimo…

Sempre que ouço Elis Regina (e dá-se o mesmo quando ouço o Gonzaguinha) eu me lembro, e chego a ter saudade, de um homem a quem não conheci: José Augusto Bicalho Roque. Hoje, vivendo pra lá das nuvens, no mata-borrão do céu, foi casado com a Sonia e é o pai do André e da Marcela. Militante do PT de primeira hora, o Zé Augusto foi um “cidadão brasileiro que, incansavelmente, devido à sua participação ativa à frente das nossas entidades profissionais e nos movimentos políticos e sociais, tinha a capacidade de olhar a realidade com esperança de transformá-la e de agir de forma que os desafios em ações se concretizassem”, e isso foi dito sobre ele na comemoração dos 50 anos do Conselho Regional de Química do Rio de Janeiro, do qual foi presidente.

E como eu ando assim – como dizer? -, como tanta gente, emocionado a ponto de chorar em anúncio de televisão, o tempo se embaralha em mim e eu misturo o nascimento da Ana Clara com a saudade do Zé Augusto, e antevejo a emoção do domingo. Quando sairei de casa, cedo, sozinho, de mãos dadas com a esperança, essa equilibrista danada que me faz companhia há um bocado de tempo e de quem espero tanto, para mim e para o Brasil.

Era isso.

Até.

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>AINDA SOBRE O CASO FOLHA DE SÃO PAULO

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Escrevi ontem o texto FOLHA DE SÃO PAULO X SUPERIOR TRIBUNAL MILITAR, que pode ser lido aqui. O referido texto traz todos os detalhes sobre a Ação Cautelar distribuída no último dia 25, no Supremo Tribunal Federal, pela empresa controladora do jornalão paulista visando obter acesso irrestrito aos autos da Ação Penal, datada de 1970, envolvendo a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, cujos autos encontram-se no arquivo do Superior Tribunal Militar. O referido texto foi constantemente atualizado no dia de ontem e o será, ainda, no dia de hoje – e até apreciação do pedido pela Ministra Carmen Lúcia, a quem coube, por sorteio, a relatoria do processo – com todos os andamentos da ação. Ação que tramita, em razão de sua natureza, com intensa celeridade, e explico. O jornalão pretende obter cópias da referida Ação Penal por entender que é de extrema relevância para a sociedade brasileira conhecer o que ele chama de “passado” da aspirante ao mais alto cargo do País. Calcando-se no seu pretenso papel de informar, a FOLHA – que todos sabemos como conduz sua pauta parcial e golpista – requer extrema urgência na apreciação de seu pedido tendo em vista a proximidade do dia do segundo turno das eleições. A mesma FOLHA que, sabemos também, serviu como uma sabuja à ditadura militar no Brasil – que mais tarde chamou de “ditabranda” – fazendo verdadeiro papel de tirubulária das forças da opressão.
Quero, pois, no dia de hoje, esclarecer alguns pontos sobre este imbróglio para quem me lê. E faço isso respondendo, publicamente, a um sujeito que freqüenta assiduamente o balcão deste BUTECO. Freqüenta assiduamente e deixa comentários com a mesma assiduidade – jamais publicados por mim. Por que?, perguntarão vocês. Porque não são comentários. São provocações, pura e simplesmente. André é o suposto nome do cidadão, e digo “suposto nome” porque não me é possível identificá-lo através do perfil a ele atrelado, cuja identificação dá-se, apenas, pela bandeira do estado de São Paulo. Mas vamos em frente. Deixou o seguinte comentário, ontem, justamente no texto a que me referi acima:
“Edu, me explica uma coisa: o que tem demais a Folha ou qualquer outro jornal ter acesso a esta AP? Não entendo porque você classifica de canalhice… Um cara que defende a publicidade dos atos, como o fez no caso de nomeações feita por Serra em outro post, reclamar que alguém está indo atrás de uma Ação Penal que, diga-se de passagem, nunca tramitou em segredo de justiça. Meio esquizofrênico isso, não? Ou seja, tudo que é a favor de sua candidata pode… O que for contra não pode? Você mesmo relata que gosta de fuçar, de ir atrás de informações, etc… Meio infanto-juvenil este seu posicionamento. Espero que poste meu comentário e não o delete como de fato já o fez outras vezes. Abraço, André”
Com base nesta nova provocação – eivada de tantos equívocos… – vou tratar do assunto e peço a vocês, que me lêem, paciência para o acompanhamento de meu raciocínio.
Vou por partes.
01) não há nada demais no fato da FOLHA querer ter acesso à Ação Penal que envolve Dilma Rousseff, não fossem diversos aspectos nada escamoteados por trás desse súbito interesse do jornalão. É sabido e consabido que a FOLHA presta-se, com raríssimas exceções que servem apenas para criar uma falsa impressão de imparcialidade, à candidatura de José Serra à Presidência da República. Eu poderia, digressionando, me perguntar por que a FOLHA não se interessou, por exemplo, até o momento, em correr atrás, com a mesma sanha jornalística, do diploma do candidato tucano (que, todos sabemos, não existe). E poderia perder tempo em busca de outros exemplos, mas prefiro me ater a este caso específico. E quero lhes dizer uma coisa: eu tenho cópia completa de uma Ação Penal, similar, que envolve uma querida amiga minha que travou a mesma luta que travou Dilma Rousseff. É, creiam em mim, uma das coisas mais impactantes a que já tive acesso. Nada que incrimine a acusada, diga-se, até porque a luta de quem lutou contra a ditadura apenas dignifica sua história de vida. Mas o calhamaço é um circo de horrores: fotografias antes e após as sessões de tortura (minha amiga ficou anos presa no Presídio Talavera Bruce, onde foi intensamente torturada), relatos feitos por verdadeiros animais valendo-se de expressões impublicáveis e outros bichos. A questão é: o que pretende fazer a FOLHA com esse material (e faço tal questionamento mesmo sem conhecer o teor dos autos da Ação Penal de 1970 contra Dilma Rousseff)? Todos sabemos que Dilma Rousseff participou de grupos clandestinos que lutaram contra a ditadura. Todos sabemos que foi presa e barbaramente torturada. Isso, repito, apenas dignifica a mulher que hoje, 40 anos depois, está a um passo de assumir a Presidência da República. Ela, vítima da opressão que sufocou o Brasil por aproximadamente 25 anos, é tratada, pela imprensa golpista, como “guerrilheira”, “terrorista” e por aí. Tenho muito medo, sim, do que pode fazer a FOLHA com esses documentos todos em suas mãos. Até porque – e isso é apenas outro problema que agrava a situação – a Ação Penal, embora centrada na figura de Dilma Rousseff, a acusada diretamente nos autos em questão, envolve diversas outras pessoas que poderiam ter suas vidas expostas para saciar a tétrica sanha do jornalão paulista: torturados e torturadores, e 40 anos depois você estaria expondo não apenas os citados na Ação Penal, mas filhos, netos, parentes de todos os envolvidos. Um risco que, franca e sinceramente, não pode ser corrido. Uma coisa é a abertura dos arquivos a título de estudo histórico. Outra, completamente diferente, é fazê-lo para alimentar uma imprensa nojenta e sem escrúpulo visando uma distorção maléfica para o País;
02) defendo, é verdade, a mais absoluta transparência quando a transparência é possível, como diz o cidadão no comentário. É verdade, também, que a Ação Penal não correu em segredo de justiça? Evidentemente que não, e explico. Ninguém precisa ser formado em Direito para saber o que era uma Ação Penal dessa natureza no curso do regime ditatorial brasileiro: a Ação Penal em tela deu-se por infração à Lei de Segurança Nacional (LSN), monstrengo criado pelos Atos Institucionais decretados pelo regime militar. Embora houvesse um código a ser seguido para o trâmite de ações desta natureza, o que havia naquele período – e o livro BRASIL NUNCA MAIS é indispensável para quem queira conhecer a fundo o tema – era a “Subversão do Direito”, nome, inclusive, de um dos capítulos do livro publicado pela editora VOZES. Não havia efetivamente direito de defesa, não havia respeito ao devido processo legal, não havia, enfim, justiça. Atentem para trecho elucidativo do referido livro: “A parcialidade da Justiça Militar pode ser demonstrada, pela sua falta de independência, desde a escolha dos oficiais para compor os Conselhos, até as limitações impostas a juízes auditores e promotores – tudo no sentido de que a Justiça Militar funcionasse como extensão do aparelho de repressão policial militar. Por outro lado, os advogados dos presos políticos eram constantemente coagidos, no exercício de sua profissão, chegando a serem presos e até mesmo processados e condenados. Em outras palavras, a isenção, a independência e a soberania, que são atributos do Poder Judiciário, não se estendiam às Auditorias Militares nos processos políticos.”;
03) quanto à “esquizofrenia”, nada a declarar. Nem com relação ao comportamento “meio infanto-juvenil”;
04) por fim, quero dizer a quem me lê, e ao signatário do infeliz comentário, que o passado de Dilma Rousseff não atenta contra sua biografia. Ao contrário, a engrandece. Não tenho antolhos capazes de me impedir de ver o defeito de quem quer que seja. Não tenho antolhos capazes de me impedir de ver a qualidade de quem quer que seja. Ocorre que, às vésperas da eleição, e diante de duas candidaturas diametralmente opostas, a avaliação que faço (e que fiz) para a escolha de meu voto, passa bem longe do que chama, José Serra, de “biografia”. Ainda que fosse, a biografia dos candidatos, o único norte a guiar minha opção, não teria dúvida alguma de que Dilma Rousseff seria, também, minha escolhida. Mas volto a dizer: o problema maior está no uso que fará o jornalão paulista e no fim que dará ao material que, eventualmente, terá em mãos. Razão pela qual penso que, e o digo com modéstia, a decisão que a Ministra Carmen Lúcia tomará, possivelmente no dia de hoje, deverá ser pautada pelo viés político, mais que o jurídico. Ainda que pelo jurídico – e eu não seria capaz de tornar tão modorrenta a leitura deste texto a esse ponto – não acredito que a liminar possa ser concedida.
Agora é esperar.
Estarei, como estive ontem, de olho o dia inteiro.
Acompanhem por aqui ou pelo twitter, @butecodoedu.
Até.  

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>FOLHA DE SÃO PAULO X SUPERIOR TRIBUNAL MILITAR

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(atualizado às 15h45min de 29/10/2010)

Informações obtidas agora dão conta de que foi negado seguimento à ação de que tratamos abaixo!

Foi disponibilizado o despacho da Ministra Carmen Lúcia, do STF, nos autos da Ação Cautelar 2727, distribuída (petição inicial abaixo) em 25 de outubro de 2010, pela EMPRESA FOLHA DA MANHÃ S/A (jornal FOLHA DE SÃO PAULO) contra o SUPERIOR TRIBUNAL MILITAR através da qual o jornalão paulista, que contribuiu como pôde com a ditadura militar brasileira, tenta ter acesso aos autos da Ação Penal 366/70 – que envolve Dilma Rousseff. O jornal já havia tentado o mesmo através de Mandado de Segurança, não tendo obtido êxito.


Os argumentos do jornal são patéticos e bem demonstram a serviço de quem está.

Alega o jornal não ter obtido a liminar requerida no Mandado de Segurança, embora se contasse com a “presença dos seus pressupostos…”. Segundo a FOLHA, seu pedido (no Mandado de Segurança) tinha utilidade pública definida no tempo, pois seria de “interesse público (os) dados constantes da mencionada ação penal, (a fim de que) possa divulgá-los a tempo de serem úteis à plena informação e formação de convicção dos cidadãos acerca da atual candidata à Presidência da República”.

Teria havido, na dicção da Autora, extensão do “julgamento …e, para violentar, em definitivo, as prerrogativas constitucionais da impetrante, novamente suspendeu a tramitação do feito…com a concessão irregular de vista do processo à Advocacia Geral da União, por força de requerimento desta desprovido de fundamento…Passados mais de cinquenta dias da impetração, o Colendo Superior Tribunal Militar nega à ora requerente a prestação jurisdicional”.

Daí ter ela interposto Recurso Extraordinário “da decisão que lhe negou a prestação jurisdicional, argüindo a contrariedade aos citados dispositivos dos arts. 5º, IV, IX, XIV, XXXIII e art. 220 da Constituição Federal e a relevância social da questão suscitada”.

Observa, ainda, que com a Ação Cautelar pretende “a um só tempo…o suprimento da utilidade da prestação jurisdicional buscado pela autora e a ela negada pelo Pleno do C. Superior Tribunal Militar e a antecipação da tutela recursal prevista no art. 527, III, do Cód. de Proc. Civil,  com as observações … de que: a) elas estão inseridas, de modo natural, no poder de cautela do juiz…b) a norma específica do art. 527, III, do Cód. de Proc. Civil, que prevê a antecipação da tutela recursal nos agravos tirados de decisão interlocutória, é por todos os motivos aplicável no caso desta ação cautelar…”.

Afirma a FOLHA serem descabidos os fundamentos apresentados para o que considera o seu direito de ter acesso aos documentos, já que não poderiam ter sido considerados privados, pois dizem respeito à vida pública da ora candidata à Presidência da República, nem poderiam estar em tal estado de precariedade que impediria a sua apresentação aos interessados.

Com base no que expõe pede “liminar inaudita altera pars (…)” (sem a oitiva do SUPERIOR TRIBUNAL MILITAR), “(…) para que seja determinado ao Superior Tribunal Militar que possibilite o imediato acesso e a extração de cópia reprográfica do processo referido”, asseverando patentear-se, no caso, o perigo da demora em razão da urgência das informações para a sua divulgação jornalística, faltando poucos dias para o segundo turno das eleições presidenciais, para o que buscaria os dados a fim de informá-los aos eleitores.

Notem a canalhice!

O despacho da Ministra está, na íntegra, abaixo.

A FOLHA corre contra o tempo.

A Ministra também.

Hoje mesmo, às 12h19min, o Ministro do Superior Tribunal Militar se manifestou sobre o despacho (petição com a manifestação, imediatamente abaixo da imagem do despacho). A FOLHA também o fez, através de petição eletrônica com certificação digital, às 18h50min (petição com a manifestação, imediatamente abaixo da imagem da manifestação do STM).

Agora há pouco, antes das 19h, o processo foi remetido ao gabineta da Ministra Carmen Lúcia. Deve sair, ainda hoje, no máximo amanhã, a decisão sobre o pedido. Advoga para a FOLHA a advogada Taís Borja Gasparian, e para o STM o Advogado-Geral da União.


Daqui, estou de olho e trarei novidades assim que as tiver.

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Até.

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>PARA LULA, NO DIA DE SEU ANIVERSÁRIO

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Meu caro Presidente Luiz Inácio Lula da Silva: dirijo-me a V.Exa. no dia de seu aniversário dispensando, a partir de agora, as formalidades naturais que deve seguir um simples cidadão quando se dirige ao Presidente da República. É que você, Lula, a pouco mais de dois meses do final de seu segundo mandato como chefe maior desta nação, é um homem que me comove demais. Por conta de sua trajetória de vida, por conta de sua história e de suas lutas, e principalmente por conta de suas realizações ao longo desses oito anos de mandato. Mas preciso – e quero – lhe dizer uma meia dúzia de palavras no dia de hoje, quando você comemora 65 anos de vida.
Eu, com 41 anos de idade, guardo ainda vivas as primeiras lembranças ligadas à política e sei bem quando foi que senti que a política seria uma paixão que me acompanharia até meu último dia de vida. Eu era um menino de calças curtas que vivia na casa de meus avós, numa vila na Tijuca, bairro no qual vivo até hoje, e me lembro de ver os adultos da família, atônitos, assistindo na TV – ainda em preto e branco – os programas do MDB e da ARENA, sem som, sem fala, batendo boca diante da aparição de um a um dos políticos que se candidatavam aos cargos passíveis de eleição pelo voto. Ouvia discussões acirradas sobre a ditadura e pouco sabia, àquela altura, do que se tratava. Meus pais jamais foram engajados nas questões políticas do país, muito mais por necessidade do que por opção pura e simples. Meu pai trabalhava na Petrobras – seu primeiro e único emprego – e minha mãe vendia produtos de beleza, de porta em porta, sendo que a política jamais foi assunto corrente em nossa casa.
Em 1982, com 13 anos, tomei de vez gosto pela coisa graças a um homem a quem, mais tarde, tive a honra de conhecer pessoalmente: Leonel de Moura Brizola. Disputando a primeira eleição pelo voto direto para Governador desde o fim da ditadura, Leonel Brizola passou como um trator por cima de seus adversários e assumiu o Governo do Estado do Rio de Janeiro – contra todas as forças reacionárias que, ainda hoje, lutam contra os interesses do povo brasileiro. Lembro-me, Lula, de cada um dos discursos do Brizola no rádio e na TV. Eu, um moleque de 13 anos apenas, sentia que aquele homem falava por mim.
Em 1986, já com 17 anos, engajei-me de cabeça, com todo aquele ânimo inerente à juventude, na campanha pela eleição do professor Darcy Ribeiro para a sucessão de Brizola. Fui a muitos comícios, fiz boca-de-urna, ofereci-me como voluntário para fiscalização da apuração dos votos, ainda em cédulas de papel. Darcy Ribeiro perdeu, e sofri, ainda moleque, sem ter votado por conta da idade, minha primeira ressaca cívica.
Antes disso, em 1984, estive na Candelária para o comício pelas Diretas Já. Foi a primeira vez que vi você, ao vivo, e discursando ao lado de Brizola.
Até que chegou 1989 e com ele a primeira eleição direta para Presidente do Brasil. Votei em Leonel Brizola, não votei em você. E sofri, confesso, minha segunda ressaca cívica. Por pouco menos de 500.000 votos você tirou a vaga do velho caudilho do segundo turno, ele que me parecia, àquela altura, mais preparado para imprimir ao Brasil um novo rumo. E foi, justo no segundo turno, meu primeiro voto pra fazer brilhar sua (hoje nossa) estrela. Sofri, ali, minha terceira ressaca cívica.      

Veio 1994. De novo meu voto não foi seu. Votei em Brizola. E vimos Fernando Henrique Cardoso vencer no primeiro turno, minha quarta ressaca.
Quatro anos depois, em 1998, você ganhou meu primeiro voto no primeiro turno. Seu vice era justamente ele, Leonel Brizola, mas ainda assim Fernando Henrique Cardoso liquidou a fatura no primeiro turno. O país com o qual sempre sonhei ainda estava longe… E já estou na quinta bordoada em termos de eleição…
Eis que em 2002 não segui, pela primeira vez, a orientação de Brizola que recomendou o voto em Ciro Gomes. Mais que votar em você, entrei de cabeça na campanha. E fui um de seus quase 40 milhões de votos naquele ano. No segundo turno, a vitória.
Da lá pra cá, Presidente, como disse meu irmão Bruno Ribeiro, sinto que “nada do que eu diga conseguirá dizer do meu alumbramento pelo País que estamos construindo”.

Ao longo desses oito anos, uma tristeza profunda: a morte de Leonel Brizola. Por outro lado, como a vida é generosa, a possibilidade de ver que hoje, a seu lado, ao lado de milhões de brasileiros que consagram seu governo com 83% de aprovação, está o neto do meu saudoso e eterno governador, Brizola Neto, a quem também tive o prazer de conhecer recentemente.

Não foram poucas as vezes em que me flagrei chorando, emocionado, diante de suas falas, de seus discursos, de sua própria e jamais disfaraçada emoção. Foi assim no dia de sua consagração nas urnas, de sua posse, foi assim no dia de sua diplomação, foi assim o tempo todo, verificando, cheio de orgulho, que o Brasil entrava, finalmente, nos eixos que povoavam meu imaginário de menino.

E hoje, a poucos dias do segundo turno da eleição presidencial, no dia de seu aniversário, contenho-me para não chorar, desde já, diante do que, quero crer, será inevitável no próximo domingo: a eleição de Dilma Rousseff.

A roda da vida, Lula… Dilma Rousseff, uma mulher que jamais fugiu da luta, esteve ao lado de Leonel Brizola antes de cerrar fileiras a seu lado. Antes disso, esteve (sempre) do lado certo quando as forças mais retrógradas sufocavam o Brasil e seu povo.

É por isso, por tudo isso, por conta de suas incontáveis conquistas ao longo desses oito anos, que no domingo votarei (sei disso) comovidíssimo. Certo de estar votando, a meu modo, em Leonel Brizola. Certo de estar votando, mais uma vez, em Luiz Inácio Lula da Silva. Consagrando o nome dessa grande brasileira que é Dilma Rousseff.

Uma mulher que sofreu, nos últimos meses, ataques tão sujos quantos os ataques que você sofreu desde que ousou peitar os poderosos que jamais esconderam o ódio que sentem diante de seus seguidos êxitos. E não direi, com meu voto, o “não rotundo” a que tantas vezes se referiu o Brizola ao longo de sua trajetória política. Darei um voto afirmativo, Presidente, de quem quer ver o Brasil seguir mudando.

E se os deuses assim permitirem, Lula, estarei em Brasília no primeiro dia do ano de 2011. Para ver Dilma Rousseff subindo a rampa do Palácio do Planalto recebendo a reverência, como comandante-em-chefe das Forças Armadas que torturaram a menina de 19 anos que sonhava com um Brasil mais justo e mais solidário, de todos aqueles que, tenho certeza, lotarão Brasília para saudar mais uma vitória e para ver saldada uma dívida que os canalhas da repressão têm com a nossa candidata. E também para me despedir de você, o maior Presidente da República que vi governando o Brasil que eu tanto amo.

Fraternalmente,

Eduardo Goldenberg    

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